Muitas vezes tento desmontar uma fotografia para perceber o propósito de quem a produz e sobre o que ela quer representar. E procuro referências do autor, da obra, e, por vezes, do seu contexto temporal, geográfico e político. É um exercício comum, fazemos isso com a pintura, a escultura e outras formas de arte e muitas vezes, até, com as palavras.
Mas também existem pensadores que defendem que a fruição das coisas, neste caso de uma fotografia, pode ser feita pelo que sentimos sobre ela, apenas com o olhar, sem qualquer pressuposto intelectual.
Assim sendo, será que toda a fotografia tem de ter um propósito inicial de representar alguma coisa em que seja necessário recorrer ao pensamento, uma vez que quem a irá ver poderá apenas verbalizar sobre a emoção que ela lhe pode provocar?
Fotografia: Sardoal, maio de 2022
