Esta semana foi notícia que Portugal, pelo terceiro ano consecutivo, vê aumentada a carga fiscal sobre o trabalho, colocando-nos nos 10 primeiros da OCDE, com uma taxa de 41,8 %. Isto quer dizer que é maior a fatia de custos do trabalho entregue ao Estado sob a forma de impostos e contribuições sociais.
Também esta semana a nossa região foi notícia nacional sobre eventuais maus tratos de idosos, num dos alegados 170 lares/casa de repouso particulares, ilegais, só em Abrantes, número avançado pela proprietária desse lar. E a notícia dizia ainda que, supostamente, ainda recebem, oficialmente, utentes vindos de hospitais.
De que adianta a revolução de Abril e os pomposos discursos se nós, portugueses, continuamos a ser “consumidos” pelo ineficaz papel do Estado e dos partidos políticos que nos têm governado? Ter a liberdade de estar a escrever isto é suficiente para defendermos o 25 de abril e a liberdade?
Não, claro que não. Gostava também de reconhecer o papel da liberdade numa sociedade mais justa, mais eficaz, mais desenvolvida e que não nos abandonasse no fim da nossa vida contributiva.
Quase meio século depois de Abril, continuamos a ser, para o Estado e para os interesses económicos e políticos, “uma chiclete, que se prova, mastiga e deita fora, sem demora”, como diz a canção dos Taxi.
Ah, e não se esqueçam que este fim de semana há uma campanha de solidariedade para acudir a quem o Estado não chega e que, de algum modo, também serve para aumentar os lucros das grandes superfícies.
Fotografia: Constância, maio de 2018.
