Foto: Paulo Jorge de Sousa

Esta semana foi notícia que Portugal, pelo terceiro ano consecutivo, vê aumentada a carga fiscal sobre o trabalho, colocando-nos nos 10 primeiros da OCDE, com uma taxa de 41,8 %. Isto quer dizer que é maior a fatia de custos do trabalho entregue ao Estado sob a forma de impostos e contribuições sociais.

Também esta semana a nossa região foi notícia nacional sobre eventuais maus tratos de idosos, num dos alegados 170 lares/casa de repouso particulares, ilegais, só em Abrantes, número avançado pela proprietária desse lar. E a notícia dizia ainda que, supostamente, ainda recebem, oficialmente, utentes vindos de hospitais.

De que adianta a revolução de Abril e os pomposos discursos se nós, portugueses, continuamos a ser “consumidos” pelo ineficaz papel do Estado e dos partidos políticos que nos têm governado? Ter a liberdade de estar a escrever isto é suficiente para defendermos o 25 de abril e a liberdade?

Não, claro que não. Gostava também de reconhecer o papel da liberdade numa sociedade mais justa, mais eficaz, mais desenvolvida e que não nos abandonasse no fim da nossa vida contributiva.

Quase meio século depois de Abril, continuamos a ser, para o Estado e para os interesses económicos e políticos, “uma chiclete, que se prova, mastiga e deita fora, sem demora”, como diz a canção dos Taxi.

Ah, e não se esqueçam que este fim de semana há uma campanha de solidariedade para acudir a quem o Estado não chega e que, de algum modo, também serve para aumentar os lucros das grandes superfícies.

Fotografia: Constância, maio de 2018.

Nasceu no Sardoal em 1964, e é licenciado em Fotografia. Fez o Curso de Fotojornalismo com Luíz Carvalho do jornal “Expresso” (Observatório de Imprensa). É formador de fotografia com Certificado de Aptidão Profissional (registado no IEFP). Faz fotografia de cena desde 1987, através do GETAS - Centro Cultural, do qual também foi dirigente e fotografou praticamente todos os espetáculos. Trabalha na Câmara Municipal de Sardoal desde 1986 e é, atualmente, Técnico Superior, editor fotográfico e fotógrafo do boletim de informação e cultura da autarquia “O Sardoal” e de toda a parte fotográfica do Município. É o fotógrafo oficial do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal. Em 2009, foi distinguido pela rádio Antena Livre de Abrantes com o galardão “Cultura”, pelo seu percurso fotográfico. Conta com mais de meia centena de distinções nacionais e internacionais. Já participou em dezenas de exposições individuais e coletivas.

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