Na passada quinta-feira, dia 10 de junho, fez 40 anos que foi inaugurado o monumento a Camões, em Constância.
A obra escultórica do mestre Lagoa Henriques nasceu pela vontade da jornalista Manuela Azevedo, que lhe terá fornecido “um conjunto de documentos e de informações sobre a muito antiga tradição popular, passada em Constância de geração em geração”.
Segundo reza a tradição oral, “o épico teria vivido, durante algum tempo, sendo ainda jovem, numa casa à beira do Tejo, então já em ruínas, que em tempos tinha tido, no piso superior, uma linda arcaria e que por isso a gente da vila a conhecia por Casa dos Arcos”, como refere o historiador António Matias Coelho numa crónica neste mesmo jornal, no dia 2 de junho. Hoje, ninguém lhe é indiferente.
Quase toda a gente que vai a Constância passa ali e tira fotografias junto da escultura.
Mas o olhar de Camões pode ir muito mais além daquele que fica aprisionado nas objetivas e nos telefones inteligentes.
O olhar de Camões pode ser apenas poesia, pela forma como olha para quem ali vai ter com ele. Não tivesse ele escrito, entre outras coisas, que Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer (…).
Fotografia: Constância, fevereiro de 2021.
