Termino muitas tardes com um passeio a pé pelos limites da vila de Sardoal. Estes passeios acabam por constituir também o equilíbrio dos dias que o teletrabalho nos mandou, fisicamente, para aquele que era o nosso espaço pessoal.
Acabamos por ver e sentir alteradas as referências do tradicional posto de trabalho, com a falta da ligação efetiva e afetiva dos espaços e dos colegas de trabalho que por vezes nos ajudam a manter o trabalho menos cansativo. Para estes passeios levo sempre a máquina fotográfica, a pequenina, leve, fácil de transportar e sobretudo discreta. É ela que me ajuda a traduzir em imagens o que vou vendo.
Como aconteceu um destes dias, quando me cruzei com Luís Batista e a sua esposa, Amélia Batista, ali para os lados da Ribeira Acima. Estavam a chegar a um pequeno palheiro junto da estrada. Iam carregar palha, para renovarem a “cama” para os animais.
Enquanto Luís colocava a palha no lado de fora do palheiro, Amélia carregava-a para a carrinha. “Alguma palha está húmida mas mesmo assim, depois de seca, vai servir muito bem” dizia-me ela.
Por estas e por outras é que raramente consigo andar mais de 100 metros, seguidos, sem parar e sem fotografar alguma coisa. Acabam sempre por ser passeios imagéticos.
Fotografia: Amélia e Luís Batista, Ribeira Acima, Sardoal. Abril de 2021
