O turismo está a passar por momentos difíceis. O turismo e nós, que somos os turistas. Bem, pelo menos os que o podem ser. Tenho visto campanha atrás de campanha (pagas, pois claro) para atrair visitantes de dentro para dentro, ou seja, a tentar que sejamos nós a salvar isto, outra vez. É que, se já salvámos bancos, negócios público/privados e tantas empresas privadas, já estamos habituados a isso.
Mas pelo que tenho visto, o turismo não se vai aguentar na mesma e não vai ser o que os agentes esperam. É fácil, li algures, que há hotéis a cobrarem mais do que o habitual porque estão a trabalhar a meio gás e pretendem os mesmos lucros e se fizerem uma pequena pesquisa, uma semana numa quinta privada também não fica barata. E não podemos esquecer que muitos portugueses, em números consideráveis, perderam rendimentos, muitos até o emprego.
Fica então uma sensação estranha de quem pode salvar isto, sem ser os que vierem de fora que teimam em não vir, pelas notícias que todos vamos lendo e ouvindo.
Mas a Estrada Nacional 2 está a cativar algum turismo. É uma aventura e proporciona um conhecimento mais profundo de Portugal, se a fizermos com esse intuito. Claro, sem ser em contrarrelógio. De bicicleta, automóvel, moto, autocaravana, a pé, em grupo, família ou mesmo sozinho.
Como Portugal é um país onde os incêndios são frequentes, é natural que esta rota ofereça uma mostra desse triste espetáculo. Já fazem parte de nós, ano após ano.
*Fotografia: Brescovo, Santiago de Montalegre, Sardoal, antiga e original Estrada Nacional 2, julho de 2020.
