“O Bombeiro de Serviço” e “O Treinador de Bancada”
Ontem fui à bola. Jogavam os infantis B do GDR de Sardoal “Os Lagartos” e os infantis B do ACDR Vasco da Gama. Os visitantes estavam organizados e muito bem dirigidos. A voz projetada do treinador era a única que se ouvia em todo o complexo desportivo.
A começar pelo número de jogadores, eles eram 12, os nossos eram 7, não podia haver descanso para os lagartos. E no banco não havia treinador.
Aliás, o treinador é o mesmo da equipa A (que também tinha jogado antes) e que ao que consta, de vez em quando dá uma mãozinha à equipa B, quando tem algum tempo disponível.
Já com uma bela meia dúzia de golos sofridos, os nossos infantis lá estavam de cabeça baixa, sem garra, desorientados, entregues a si próprios, como se ouve dizer noutras ocasiões.
Mas foi a seguir ao intervalo que aconteceu a coisa mais emocionante do jogo: César Duarte, que treinou cerca de 10 anos Os Lagartos e que estava a assistir ao jogo, não aguentou tanta passividade da equipa e “assumiu o jogo”. Das bancadas. Trazia vestido um blusão dos Bombeiros e dizia que não tinha nenhum curso.
Ao som da sua voz de comando, os jogadores ganharam alma, correram, bateram-se com o adversário e, poucos minutos depois, Os Lagartos marcavam o seu golo de honra.
Até ao fim do jogo os nossos miúdos não pararam um minuto. Cansados mas com o sentido de dever cumprido. O resultado de 1 – 13 não quis dizer nada perante a entrega na segunda parte. Foi bonito.
Obrigado César Duarte. Faz isso mais vezes.
*Foto: Parque Desportivo Municipal de Sardoal, 4 de janeiro de 2010
