Esta semana acaba 2019 e começa 2020. Não sou dos que olham para trás e tentam fazer uma rigorosa análise do ano que passou. Do ponto de vista internacional, ainda nos chocam as guerras e os conflitos políticos que acabam sempre por atingir as mesmas pessoas, as mais desfavorecidas. E isso não é um bom indicador de evolução do homem enquanto ser pensador.
Do ponto de vista nacional, continuamos a constatar que os discursos políticos continuam desfasados das políticas praticadas, quer na justiça, quer no combate à corrupção, quer aos elevados impostos que continuamos a pagar para alimentar negócios que esses políticos fazem em nome de um suposto desenvolvimento e onde vão trocando regularmente de cadeiras entre as que usam para “nos governar” fazendo grandes negócios com as cadeiras onde “se governam” quando saem da política.
Regionalmente e localmente, não vejo grandes movimentações de vontades em combater de facto a desertificação dos territórios, uns lá vão implementando políticas de apoio à natalidade e assumindo as despesas escolares das suas crianças e jovens, vão dando umas bolsas de estudo para o ensino superior sabendo que apenas estão a permitir que os mais carenciados possam ter os mesmos direitos que todos os outros mas com a certeza de que dificilmente voltarão à sua origem depois de formados e outros vão tentando convencer que é bom viver por cá que estamos tão ou mais perto da capital do que muitos que residem a menos distância.
Uma viagem à capital, para assistir a um concerto ou ver uma exposição, ou um passeio à Serra da Estrela em lazer, implica, só em portagens e combustíveis, mais de 70 € o que pode ser considerado um luxo, para muita gente (11% do salário mínimo nacional).
As Comunidades Intermunicipais continuam sem grande vontade e poder reivindicativo de políticas nacionais de combate à desertificação.
Visto isto apenas quero deixar o desejo de que, com o andar da carruagem, todos os municípios desta região possam registar aumentos de população mesmo que pouco significativos, como está a acontecer em Vila Nova da Barquinha.
Um bom ano de 2020.
(Fotografia: Vila Nova da Barquinha, dezembro de 2019)
