Lembro-me dos minutos que tinha, contados pelo relógio, para comer uma bifana no Faustino. Era sair da estação e ir logo ali em frente. A casa era grande, com um longo balcão, bancos elevados e sempre muita gente por ali. Mesmo muita gente.
A estação estava sempre cheia, movimento para aqui e para ali, era um corrupio de pessoas no entra-e-sai da estação. Eu estava em formação no Centro Cultural e Regional de Santarém.
Fazia essa viagem todos os dias. E ali, no Entroncamento, havia sempre um compasso de espera ou para “mudar a máquina” ou a dar tempo para conciliar os horários dos comboios. Estávamos em 1986/87. E lembro-me desse tempo, sempre que ali passo.
Agora é diferente. O Faustino já não existe, não há grande movimento de pessoas, os comboios são menos e quase sempre atrasados. E a estação está vazia. Por vezes até sinistra. Falta gente, falta vida.
E não é só no Entroncamento. Há certamente dezenas de “Faustinos” que também desapareceram por estas terras do Médio Tejo.
