Não, não é nenhuma obra deixada pelo Creative Camp. Podia ser considerado “obra” se tivesse sido feito com um propósito, um objetivo. Aí já poderia ser uma intervenção artística. No entanto e estando num local público, de passagem de pessoas, não deixa de ser apenas, uma intervenção. Artística ou não, já pode depender da forma como se olha e como se interpreta socialmente. Isto é espontâneo, geralmente feito em finais de horas lectivas enquanto o autocarro não chega. Os estudantes chegam ali e devem ter tempo de sobra para “trabalhar” estas coisas. E como tem a contribuição de cada um, passa a ser uma intervenção coletiva, um retrato deles próprios. Um mural de lamentos, de amor, de mensagens personalizadas, de desabafos e de protesto. Não deixa de ser um reflexo da nossa sociedade, daquilo que estamos a cultivar e a deixar às novas gerações.
No fundo nem querem dizer nada com aquilo. Fazem apenas para ocupar o tempo.
E é isso que é triste.
(Centro de Associações Desportivas de Abrantes, ou Terminal Rodoviário, nunca sei bem o que chamar aquele local. Setembro de 2018)
