Foi um dos dias mais importantes da história de Portugal, o dia 25 de abril, o dia que marcou o início da reviravolta total, uma revolução que veio para acabar com as más condições de vida e a falta de liberdade a que os mais velhos já se tinham habituado e ao que os mais novos se negaram a aceitar.
Ver que foi muito graças a influências estrangeiras de projetos de sociedade e de Estado diferentes ao que estava em vigor em Portugal que acontece a revolução, e que a nossa foi a primeira da terceira vaga de revoluções democráticas mundiais como referia Francis Fukuyama no seu livro “O fim da História e o Último Homem”, deixa-me pensativo sobre a já decadência da reação do povo português. Aliás, foi preciso esperar de 1933 até 1974 para o regime cair.
Mas não é dela que vou falar hoje. Hoje escrevo sobre a inércia que se instalou no povo português, que, segundo os livros de história, era um povo livre, que não aceitava injustiças e que se unia para combater em nome da nação. Olhando e pensando nas características do passado arrisco-me a dizer que esses portugueses de outrora morreram e levaram consigo todas essas características, deixando esta nossa gente desprovida de qualquer vontade de lutar e participar.
Antigamente aqueles que apregoavam a democracia e a liberdade são hoje os “deixa andar”. Outros entraram na máquina da politiquice e adoram tanto a sua boleia que já não conseguem sair. Todos eles tomam a democracia como garantida no nosso país e é mau, segundo o meu ponto de vista, pois nada é garantido em pleno. Temos de continuar sempre a lutar e a falar da nossa verdade para que as pessoas escolham o que é melhor para elas.
Vendo surgir em Portugal, como vem acontecendo noutros países, os extremos do espectro político fico triste. E quem me conhece sabe que sim, não por eles aparecerem, pois em democracia todos tem direito à sua opinião, mas sim por estarem a crescer e a captar mais pessoas para uma ideologia racista, xenófoba e misógina, depois dos exemplos daquilo que fizeram lideres que se apoiavam nestas ideias quando chegaram ao poder.
Eu não o quero e cabe-me a mim e a qualquer um dos que não queira ver Portugal entrar num fascismo de novo ir votar, participar ativamente, como já o referi na minha crónica anterior. No próximo mês de maio há eleições para o Parlamento Europeu e é sempre importante participar para mostrar que em Portugal não há lugar para os fanatismos exacerbados.
Não podia deixar de referir, porque ainda não o fiz, deixando passar o sensacionalismo da questão, as relações familiares que foram desvendadas em Portugal. É triste e infeliz ver que já é prática comum, desde outros tempos, e em nada favorece quer o Partido Socialista quer o Partido Social Democrata. Para os apoiantes deste governo, a retórica de “os outros também fizeram” tem sido muito comum e respondo como o meu pai me respondia quando fazia algo influenciado por outros: “se os outros se atirarem da ponte tu vais também porque eles o fizeram?”.
Nunca em tempo algum as práticas menos boas de uns servem para justificar o facto de nós agirmos de igual forma. E dizerem que a mulher de X ou a filha de Y chegou onde chegou por mérito é tão falso como eu me chamar Daniel. A meritocracia foi criada para encobrir estes casos e seria aceite se fosse apenas uma filha ou uma mulher, ou um caso mesmo de uma pessoa com capacidades inigualáveis. O problema é que mesmo que uma pessoa lá tenha chegado por mérito é pouco provável que aos outros todos se aplique o mesmo e aquela que o tenha conquistado pelo suor do seu trabalho acaba desvirtuada pelos outros.
Aconselho a leitura de Teoria da Justiça de John Rawls, escritor muito querido da ala esquerda do PS, que ataca e corrobora a meritocracia. No seu livro faz referência ao Véu da Ignorância e à sua importância para o desenho da sociedade, algo esquecido por quem nos tem governado, usando este tipo de nomeações habituais como pagamentos de favores, ou uma concentração de poder em alguns, um género de oligarquia, sei lá. Talvez Costa tenha pensado que se antes nunca se tinha falado nem denunciado estes casos não ia ser no governo dele que isso iria acontecer e fez nomeações seguidas de nomeações.
Outro caso que abalou o mundo foi o incêndio de Notre Dame de Paris, o telhado da Catedral quase milenar pegou fogo e em menos de 72 horas os mais ricos de França angariaram mil milhões de euros para a sua reconstrução. É triste, depois do desastre em Moçambique para Portugal não termos gente tão rica e que se mostre tão sensibilizada pelas desgraças causadas por desastres naturais e que afetam a vida de milhões de pessoas.
A minha crítica aqui não vai para quem deu dinheiro para a reconstrução da catedral, vai sim para a nossa sociedade global que deixou aqui bem claras as suas prioridades. Que um monte de pedras vale muito mais que milhões de vidas humanas. Tenho dito. Até maio caro amigo leitor.
