Pois é… morreu no ano de 1989 e ainda é notícia internacional. Até exumaram o seu corpo por uma briga de herança. E que herança!

Isto é interessante! Dizem que ser artista é vida de pobre! Ser artista é ser uma parte pouco importante para a sociedade…muitos gabam-se dizendo ”o meu filho é advogado”, outros “o meu filho é engenheiro”… mas quase ninguém se gaba e diz “o meu filho é artista plástico” ou ”o meu filho pinta quadros”. A vida de artista não é fácil, é verdade.

Deve-se ter uma paixão forte, bem alicerçada. Saber que, para fazer valer as próprias ideias, se deve combater a ignorância, as suspeitas e as desconfianças. Há que fazer valer o próprio trabalho e ser pago por isso e, pior ainda, há que combater a inveja dos “colegas” e afins.

Mas é uma vida livre e alegre, se vivida intensamente, porque se pode fazer o que se gosta e quando, sem horários e dias marcados.

Salvador Dalí foi exemplo disso. Talvez até demais. Mas ele era um GÉNIO. As obras dele podem ser amadas ou odiadas, mas ninguém fica indiferente diante delas. Esteve na falência várias vezes, ganhou um rio de dinheiro, comprou herdades e teatros, vendeu desenhos a preços exorbitantes. Trabalhou com Walt Disney e em Hollywood, inventou uma corrente artística, foi enxovalhado por Picasso e outros “colegas”, amou uma só mulher, a sua musa Gala, que pintou, retratou e cantou nos seus poemas mas com quem, raramente, teve relações.

Pintou quadros enormes e muito pequenos, muros, T-shirts, carros, corpos, desenhos animados, cenários, vestidos e chapéus. Criou um museu só dedicado à sua Joalharia em Figueiras, nunca parava de criar e nada era impedimento para a sua imaginação, sempre desenhou.

Ele era artista e agora, após quase 30 anos, Espanha (não uma instituição qualquer) está com o coração nas mãos porque, se o resultado do DNA for compatível com o da sua suposta filha, que desencadeou este caso, deverá entregar-lhe cerca de 450 milhões de euros e uma percentagem das entradas dos “museus Dalí”. E depois dizem que vida de artista é vida de pobre.

Espero que os governantes de hoje pensem e avaliem bem o património cultural que têm e o valorizem. A ARTE vale muito, se bem gerida.


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Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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2 Comments

  1. Se foi à falência varias vezes (não tenho essa certeza).
    Se raramente tinha relações… também não é coisa que me interesse.
    Agora. Foi um grande pintor, mas não foi Dalí que criou o movimento surrealista, embora o tenha abraçado e seja uma referência do surrealismo.
    Foi André Breton, líder e mentor desse movimento (entre outros como Max Ernest, Paul Éluard, Antonin Artaud, René Magrit… )
    Da sua obra marcante damos como exemplo “A persistência da memória” entre centenas expostos no seu MUSEU TEATRO em Fígueras, Esse sim, o museu Dalí.
    A joias… não tem museu. Foram expostas em exposição “temporária” no Castelo de Púbol na casa/museu GalaDalí (como gostava de dizer, dado que o castelo fora uma oferta de Dalí a Gala, enquanto sua esposa)…

    Gosto de arte, por isso a minha formação superior foi em arte, mas tenho de deixar de ler esta coluna… por milhentas razões…

    1. Sr Vicente…a sua raiva contra mim é evidente e pouco me interessa, se quiser ver o catalogo do museu das jóias pode vir ao meu atelier a “informar-se”.
      Para o publico o nome de Eluard, Artaud e outros não definem o surrealismo que para todos o nome mais altisonante é DALÌ ..sem duvida, aquele que o fez e..faz conhecer ao mundo.
      o Sr passou de “colega” e podia dizer “amigo”, a pessoa que me odia…olhe uma coisa, pelo seu bem,, quem odia se envenena do seu próprio odio..e vejo também um pouco de inveja no que faço ( como o próprio sr. me disse quando o confrontei com a suas acusasoes xenófobas contra mim)
      se quiser ler as minhas cronicas o faça, se nao quiser é o mesmo e se quiser continuar a criticar-me…é bem vindo na mesma
      haja paz e democracia
      atentamente

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