O aumento da população e o impacto da imigração no Entroncamento estiveram em análise na última reunião do executivo, com o vereador Rui Madeira (PSD) a alertar para a falta de conhecimento sobre a realidade local e o presidente da Câmara, Nelson Cunha (Chega) a defender a necessidade de equilíbrio entre integração e cumprimento de regras.
Na sua intervenção, o vereador Rui Madeira destacou que, apesar de existir uma estratégia nacional para a imigração, a sua aplicação ao nível local é limitada, uma vez que poucos municípios dispõem de planos municipais nesta área.
O eleito pela coligação Viva o Entroncamento (PSD/CDS-PP, que inclui também independentes), considerou que esta ausência de planeamento local dificulta a resposta a fenómenos que, embora globais, têm impactos diretos nos territórios.
O vereador sublinhou que o Entroncamento é um exemplo dessa realidade, apontando para alterações demográficas significativas nos últimos anos. Segundo afirmou, os dados oficiais indicam uma população entre 21 e 22 mil habitantes, mas registos recentes nas Juntas de Freguesia sugerem um número superior, que poderá ultrapassar os 30 mil.
“Este é um desfasamento grande no nosso concelho”, referiu, defendendo a necessidade de conhecer melhor quem reside no território, as suas motivações e condições de vida.
Rui Madeira alertou ainda que esta falta de caracterização pode ter impactos no financiamento dos serviços públicos, como a recolha de resíduos, saúde ou educação, sublinhando que o concelho poderá estar “no limite da capacidade” para receber mais população.
Nesse sentido, defendeu a recolha de dados concretos como primeiro passo para uma resposta estruturada e sustentável.
Na resposta, o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha (Chega), afirmou que a prioridade do executivo passa por garantir justiça e ordem social para todos, reconhecendo simultaneamente a elevada densidade populacional do concelho e as crescentes necessidades associadas.
O autarca destacou a importância de saber receber e integrar quem chega, mas sublinhou que devem ser privilegiadas condições que garantam qualidade de vida a quem já reside no concelho.
“As regras têm que ser para todos”, afirmou, acrescentando que o Entroncamento não deve ser uma referência para situações de dependência ou irregularidade.
Nelson Cunha referiu ainda que problemas relacionados com atestados de residência emitidos no passado terão contribuído para a situação atual, defendendo uma atuação baseada no cumprimento das normas e na melhoria global da cidade.
