Com uma taxa de incidência nos últimos 14 dias superior a 700 novas infeções de covid-19 por cada 100 mil habitantes (de acordo com os cálculos das autoridades de saúde para determinar o grau de risco de contágio), Vila Nova da Barquinha é um dos seis concelhos do país que se encontram em “estado vermelho”. O presidente da Câmara explica que os focos de contágio estão devidamente identificados e que uma testagem em massa à população só acontecerá se for essa a indicação das autoridades de saúde.
“Não vale a pena entrarmos numa situação de pânico”, começa por apaziguar Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal da Barquinha, em declarações aos jornalistas, não escondendo que o concelho está perante “um problema complicado”, transversal à região em que se insere.
Com 702 novos casos por 100 mil habitantes, o concelho barquinhense tem registado novas infeções praticamente todos os dias (com o dia 10 de novembro a ser o único dia nos últimos seis dias sem registo de novas infeções no concelho, num total atual de 61 casos ativos, de acordo com o boletim da Unidade de Saúde Pública do Médio Tejo), situação que o coloca em risco “muito elevado”.
“Estamos a entrar já no vermelhão, vermelhão”, constata o edil. À data, em todo o país, neste mesmo patamar ou acima – em risco extremamente elevado – estão apenas seis concelhos: Pampilhosa da Serra, Ponte da Barca, Penedono, Penamacor, Redondo e Vila Nova da Barquinha.
Na origem deste agravamento da pandemia no concelho estão três focos “já devidamente identificados”: duas turmas da Escola Ciência Viva, que “replicaram nos próprios agregados familiares”, uma família de 13 pessoas infetadas na sequência de uma festa de aniversário e outro foco de infeção num estabelecimento onde estavam 10 pessoas.
ÁUDIO | Fernando Freire (PS) sobre focos de infeção no concelho
Com uma nova realidade, a de pessoas vacinadas a ficarem infetadas, Fernando Freire fala na “complexidade que neste momento temos perante esta nova pandemia que vem aí, com as estirpes variáveis”, dando conta de ter já reunido com o delegado de saúde sobre a situação.

Com todos os utentes em estruturas residenciais para idosos já vacinados com a terceira dose da vacina contra a covid-19, uma possível testagem em massa só após orientação das autoridades de saúde, admite o presidente barquinhense. “Saúde pública é o nosso delegado de saúde que é o coordenador deste processo. O presidente da Câmara em conformidade agirá, e segundo as instruções da DGS”, disse, dando também conta de uma reunião do Conselho Intermunicipal da CIM Médio Tejo onde irá ser debatida a questão, uma vez que a situação tem-se vindo também a agravar em concelhos vizinhos, com um registo de casos diários elevado no Entroncamento, Tomar e Torres Novas.
VN BARQUINHA É O ÚNICO CONCELHO DO MÉDIO TEJO COM PLANO DE CONTINGÊNCIA ATIVO
O concelho barquinhense é o único do Médio Tejo e da Lezíria que se mantém com um plano de contingência ativo, numa decisão tomada “pela teoria das cautelas”.
“Com o plano de contingência é muito mais fácil impor determinadas condutas e normas, por exemplo, acesso aos lugares públicos, alguma retenção das pessoas na aproximação em termos físicos, o uso de máscara, e outros procedimentos que estão como recomendações”, refere Fernando Freire.
Com este plano ativo, encontram-se ainda em vigor as estruturas de retaguarda, preparadas para situações de emergência, como é o caso de um pavilhão na freguesia de Praia do Ribatejo.
PSD PROPÕE CRIAÇÃO DE CENTROS DE TESTAGEM MÓVEIS
“Esta última semana tem sido triste e preocupante para o nosso Município. (…) O concelho encontra-se à frente, em terceiro lugar, não pelas melhores razões, mas sim como o pior dos concelhos com registo de infeções covid nos últimos seis meses”, expôs a vereadora Paula Gomes da Silva (PSD) na última sessão do executivo camarário.
Admitindo ser “obrigação deste executivo cuidar dos seus munícipes”, a vereadora social-democrata sublinhou na sua intervenção a chegada do inverno como agravante de uma situação que “está longe de estar ganha” e defendeu ser fundamental “continuar a investir no combate a esta pandemia”. “Quando baixamos os braços, pensando que o vírus já não podia atacar, veja-se o que acontece”, acrescentou.

Numa pandemia que “não tem qualquer cor partidária”, o PSD mostrou-se disponível para colaborar e propôs à Câmara um plano de ação para quebrar as cadeias silenciosas de transmissão: “o aumento da testagem da população, com a criação de centros de testagem móvel, em articulação com as forças de segurança/bombeiros (os quais já nos ajudaram no período de vacinação), implementando de imediato um plano local de testagem, com testes antigénio gratuitos a toda a população residente no concelho”.
ÁUDIO | Paula Gomes da Silva (PSD) sobre situação da pandemia no concelho
Paula Gomes da Silva (PSD) questionou ainda o presidente da autarquia sobre quais as medidas que pretende tomar de imediato, bem como quais as verbas orçamentais ainda disponíveis para afetar à área da saúde. Perguntas às quais o edil socialista respondeu com uma ação conjunta a ser debatida em sede de Comunidade Intermunicipal, tal como já vem acontecendo desde março de 2020.
