Hospitais do Médio Tejo. Foto: mediotejo,net

Questionado sobre a situação atual relativamente à evolução da covid-19, o CHMT disse que nas últimas duas semanas os números de doentes covid internados nos hospitais do CHMT mantiveram-se entre as 20 a 30 camas dedicadas (enquanto nas semanas anteriores e desde o início de 2022 estavam consistentemente entre as 30 a 40 camas ocupadas com doentes infetados pela COVID-19).

Nos últimos dois dias (terça e quarta-feira), no entanto, o CHMT voltou a registar um aumento de casos (31/35 doentes no total), dos quais somente um doente estava em cuidados intensivos, informou.

“Desde o início de 2022 e até 8 de maio, passaram pelo internamento covid do CHMT 601 doentes – é um número expressivo se comparando com o acumulado de 2021, que totalizou 1104 doentes nos 12 meses. Mas apenas 7% destes doentes necessitaram de cuidados intensivos (o que compara com uma fatia de 23,4% em 2021)”, deu conta a administração hospitalar que agrega os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas.

“Da análise dos dados de internamentos covid podemos ainda assinalar um crescimento das infeções na população mais idosa: 88,1% dos internamentos são utentes com idade superior a 60 anos (em 2021, eram menos 20%, representando 68,4% dos internados)”, acrescentou.

Questionado sobre o número de atendimentos diários e de espera nas urgências do CHMT, nomeadamente no hospital de Abrantes, unidade hospital referência covid no Médio Tejo e onde está concentrada a Urgência Médico Cirúrgica, o CHMT disse que “a situação é estável e bastante alinhada com os valores pré-pandemia, de 2019”.

“Os Serviços de Urgência das três unidades do CHMT – Abrantes, Tomar e Torres Novas – têm a registar desde o início do ano uma média de cerca de 300 atendimentos/dia. Na primeira semana de maio esse valor mantém-se praticamente inalterado. Os tempos de espera para o primeiro atendimento estão também em linha com os valores dos anos três anos transatos – e todos abaixo de uma hora”, disse, sendo de registar um ligeiro aumento dos casos “graves”.

“Há, de facto, um maior número de pulseiras “amarelas” e “laranja” atribuídas através dos critérios da “Triagem de Manchester”. Em Abrantes, por exemplo, esse valor ascende a quase 70% dos episódios de urgência, sendo mais baixo em Tomar (53%) ou Torres Novas (48%)”, notou, dando conta ainda de um aumento de atendimentos de crianças.

“Na Urgência Pediátrica regista-se um aumento mais expressivo da procura este ano – com uma média de 108 atendimentos por dia, quase o dobro dos registados no ano passado. Todavia, pouco mais de um terço destes atendimentos configura de facto os critérios da “urgência hospitalar”, afirmou.

Questionado pela tipologia dos cidadãos que ocorrem às Urgências do Centro Hospitalar do Médio Tejo e se, pelo grau de gravidade, podiam ter sido atendidos nos centros de saúde, a administração do CHMT refere que o aumento da gravidade dos casos configura essa necessidade, não invalidando algumas situações em que o mais adequado seria os cuidados de saúde primários. 

“Sabemos que muitos utentes se deslocam às unidades do CHMT para um rápido acesso, 24 horas por dia, a cuidados de saúde diferenciados e acesso a meios complementares de diagnóstico. Estaremos sempre de portas abertas à população, com resposta e cuidados de saúde de excelência. No atendimento pediátrico são mais expressivos os casos em que seria mais adequada a intervenção dos cuidados de saúde primária, ou um contacto com a linha SNS24”, afirmou, tendo feito notar que a população do Médio Tejo “tem motivos para confiar na resposta do CHMT”.

A título de exemplo, esta semana, lembrou, “foi notícia a inoperacionalidade de algumas ambulâncias por falta de médicos, um pouco por todo o país. Nesse sentido, vincou, “na última década, a VMER – Viatura Médica de Emergência do Hospital de Abrantes não teve uma única hora de inoperacionalidade, estando sempre preparada para acorrer à população do Médio Tejo”.

“Aceleração drástica” de casos covid com quase 250 mil infeções desde o ‘fim’ da máscara

Portugal registou quase 250 mil infeções pelo SARS-CoV-2 desde que a máscara deixou de ser obrigatória, em 22 de abril, cerca de 75 mil mais do que nos vinte dias anteriores, indicam dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Contabilizando os números diários da DGS, nos últimos vinte dias — desde que o uso de máscara deixou de ser obrigatório e até quarta-feira -, registaram-se 248.603 novas infeções, o que representa um aumento de 43,5% em relação aos 173.183 casos notificados no mesmo número de dias anteriores, ou seja, entre 02 e 21 de abril.

O matemático do Instituto Superior Técnico (IST) Henrique Oliveira disse à Lusa que estes dados demonstram uma recente “aceleração drástica” do número de casos, ao adiantar que a “janela de cinco dias” entre 07 e 11 de maio totaliza cerca de 90 mil infeções, quase o dobro das cerca de 49 mil registadas no período entre 17 e 21 de abril, ainda antes da eliminação do uso de máscara.

O número de casos registou um aumento significativo nos últimos três dias, passando a barreira dos 20 mil diários, com 20.486 na segunda-feira, 24.572 na terça-feira e 24.866 na quarta-feira.

Os mesmos dados indicam ainda que, desde que foi levantada a obrigatoriedade do uso da máscara, morreram 390 pessoas em Portugal, o que dá uma média de 19,5 óbitos diários por covid-19 nos últimos vinte dias.

De acordo com os números da DGS, desde segunda-feira, registaram-se 81 mortes no país por covid-19, 29 na segunda-feira, 27 na terça-feira e 25 na quarta-feira.

Na comparação dos períodos homólogos — entre 22 de abril e 11 de maio de 2021 e de 2022 -, os dados da autoridade de saúde mostram uma situação epidemiológica substancialmente diferente no país.

Nesse período de 2021, registaram-se 7.753 casos de infeção pelo SARS-CoV-2, menos 240.850 do que no mesmo período deste ano, e 42 mortes, menos 348 do que nos últimos vinte dias.

Henrique Oliveira, um dos autores do Indicador de Avaliação da Pandemia do IST e da Ordem dos Médicos, adiantou ainda que uma análise matemática à evolução das ondas pandémicas já registadas em Portugal indica que o intervalo temporal entre cada uma dessas vagas “é de exatamente 115 dias”.

“Isso tem-se verificado de forma muito regular. As autoridades devem contar com ciclos entre 110 e 120 dias de intervalo entre as ondas causadas pela covid-19. Mais uma vez, esta lei empírica está a verificar-se”, tendo em conta que o país pode estar a caminho da sexta vaga da pandemia, afirmou o especialista.

De acordo com o último relatório do grupo de trabalho do IST que acompanha a evolução da pandemia, a incidência em média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

Apesar do aumento de casos diários nas últimas semanas, o relatório da última sexta-feira da DGS e do Instituto Ricardo Jorge indicava que o número de pessoas com covid-19 internadas nos cuidados intensivos dos hospitais do continente correspondia a 23,5% do valor crítico definido de 255 camas ocupadas.

O uso generalizado de máscaras deixou de ser obrigatório em 22 de abril, com exceção dos estabelecimentos de saúde, incluindo farmácias comunitárias, assim como nos lares de idosos, serviços de apoio domiciliário, unidades de cuidados continuados e transportes coletivos de passageiros.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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