O presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém nega ter pedido ao governo um cerco sanitário a Fátima para impedir a entrada de peregrinos a 13 de maio. Miguel Borges sugere, sim, e à semelhança do que aconteceu na Páscoa e no 1º de Maio, que o Governo impeça a circulação de pessoas entre concelhos entre os dias 9 e 13 de maio para evitar que os fiéis viajem até ao Santuário de Fátima apesar do apelo das entidades religiosas e civis e do recinto se encontrar vedado.
Apesar dos apelos do Santuário de Fátima para que os peregrinos não se desloquem ao recinto de oração a 12 e 13 de maio e de vigorar o dever cívico de recolhimento domiciliário, devido à pandemia de covid-19, Miguel Borges está preocupado e pede medidas de exceção. “O que eu defendo não é um cerco sanitário. Pretendo é que as pessoas não se desloquem a Fátima”, explicou o responsável.
Na sua opinião, “seria de bom senso fazer o mesmo que foi feito no fim de semana da Páscoa e do 01 de Maio, ou seja, a limitação de circulação para fora do concelho”, com as devidas exceções.
Esta preocupação é já do conhecimento do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, que coordena a execução do Estado de Emergência na região de Lisboa e Vale do Tejo e que participa nas reuniões da Comissão Distrital da Proteção Civil.
O Jornal de Notícias noticia esta quarta-feira, 6 de maio, que a Proteção Civil pede cerco a Fátima para impedir entrada de peregrinos nos próximos dias 12 e 13 de maio no Santuário, mas o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, em declarações ao mediotejo.net, nega o pedido de cerco sanitário apesar de temer que os peregrinos insistam em entrar em Fátima mesmo sendo as celebrações realizadas sem a presença de fiéis e o local de culto encerrado.
Miguel Borges defende que o Governo delibere medidas de segurança de exceção para os dias 9 a 13 de maio, “em tudo idênticas às tomadas no fim de semana da Páscoa e do 1º de Maio” no sentido de evitar concentração de fiéis. “Ora não é um cerco a Fátima! Essa situação não se coloca, como aconteceu em Ovar, uma situação extrema. Além disso teria de existir um enquadramento porque estamos a limitar os direitos, liberdades e garantias das pessoas”, afirmou.
O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém considera “prudente que se tomem medidas que impossibilitem as pessoas de circular entre concelhos” no contexto da pandemia da covid-19.

Miguel Borges lembra que “em bom rigor, atendendo à situação de calamidade” as regras mantêm “o dever cívico de recolhimento domiciliário e quais as deslocações que se consideram autorizadas. Em lado nenhum [na lei] encontro deslocação autorizada no âmbito da fé e da religiosidade. Mas igual situação estava prevista para o fim de semana da Páscoa e do 1º de Maio e mesmo assim o Governo reforçou, e bem, estas medidas”.
Logo a 06 de abril, o Santuário de Fátima anunciou que a Peregrinação Internacional Aniversária de maio será este ano celebrada sem a presença física de peregrinos, devido à covid-19, mas que se mantêm as principais celebrações.
Apesar de esta peregrinação não poder ser vivida nos moldes habituais, vão realizar-se “as principais celebrações na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que serão presididas pelo cardeal D. António Marto e transmitidas pelos meios de comunicação social e digital”, explicou.
Há 3 dias, em comunicado, o bispo de Leiria-Fátima manteve o 13 de Maio sem “presença física de peregrinos”, rejeitando a possibilidade aberta pela ministra da Saúde.
Contudo, tal decisão não tranquiliza a Proteção Civil quanto a ajuntamentos na Cova de Iria. “Encerrar o recinto não é suficiente. O problema é concentração de pessoas, próximas do Santuário, mesmo sem poderem entrar nas cerimónias, mesmo sem entrar no recinto. A fé move montanhas e mais facilmente moverá peregrinos sedentos de fé e religiosidade” diz Miguel Borges.
O presidente faz notar que “já se veem alguns peregrinos a caminho e sabemos das tentativas de fazer reservas nos hotéis”.
Miguel Borges insiste por isso em medidas extra que podem acontecer “de várias formas, por todo o País ou entre concelhos limítrofes” de Ourém, no entanto nota que “as pessoas deslocam-se de todo o País para Fátima. Seria mais prudente se à saída do Porto [as forças de segurança] mandassem voltar para trás do que uma pessoa vir do Porto e à chegada a Fátima mandassem regressar” ao concelho de residência.
Para o presidente da Proteção Civil de Santarém “estes três ou quatro dias podem fazer toda a diferença no trabalho que temos vindo a fazer. E se forem duas pessoas de Coimbra, quatro de Bragança, cinco de Lisboa, podemos ter milhares de pessoas em Fátima sem estruturas de apoio, sem restaurantes, a não ser em take away, por isso podemos estar a potenciar algo muito perigoso”.
Covid-19: Celebrações em Fátima terão apenas as pessoas “diretamente implicadas”
As celebrações da Peregrinação Internacional Aniversária de maio, nos dias 12 e 13, vão contar apenas com a presença das pessoas nelas diretamente envolvidas, disse hoje o reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas.
Em declarações à agência Lusa, Carlos Cabecinhas explicou que “só estarão presentes as pessoas necessárias e diretamente implicadas nas celebrações”.
Como é habitual nos outros anos, as celebrações decorrerão no recinto de oração do santuário, mas sem a presença de peregrinos, uma vez que este estará encerrado.
“A entrada de peregrinos nos espaços do santuário, entre a tarde do dia 12 e a hora do almoço do dia 13, não será possível. Os espaços estarão todos inacessíveis, incluindo o recinto de oração, que será encerrado”, frisou.
Carlos Cabecinhas explicou que “o objetivo é evitar qualquer tipo de aglomeração de pessoas ou ajuntamentos”.
“A mensagem que é importante e que as pessoas devem ter presente é que não poderão entrar no recinto de oração, não poderão participar em qualquer celebração e, por isso, não devem vir”, pediu.

Questionado sobre as medidas de segurança adotadas para a eventualidade de, apesar deste apelo, os peregrinos decidirem deslocar-se ao santuário, Carlos Cabecinhas referiu que aquelas competem às autoridades.
“Sempre foi assim. Nós respeitamos a sua atuação e articulamos o que tem de ser articulado, que é a parte de vigilância dos nossos espaços”, acrescentou.
O reitor reiterou o sentimento de “profunda dor” por, pela primeira vez na sua história, o Santuário de Fátima não acolher peregrinos, que são “a razão de ser” do seu quotidiano.
“Ainda assim, sabemos que tomámos a decisão correta, porque foi a decisão mais responsável”, considerou, acrescentando que esta se baseou “na saúde e na segurança dos peregrinos, na sequência desta pandemia e das decisões das autoridades”.
Apesar de a presença dos peregrinos não ser possível fisicamente, Carlos Cabecinhas disse que o santuário não prescinde “da sua oração, da sua presença espiritual”.
“O santuário estará vazio, mas não estará deserto. Os peregrinos serão os mais presentes na celebração, não temos dúvidas”, realçou.
c/LUSA
