“Vamos ter uma transmissão brutal”, e no pior momento possível. O aviso foi feito ao governo por Óscar Felgueiras, investigador e matemático que integra a equipa responsável pela estratégia contra a pandemia, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, segundo o Expresso.
“A Ómicron está a espalhar-se a uma velocidade que ainda não vimos com nenhuma outra variante” do coronavírus, alertou também esta quinta-feira o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus.
No Reino Unido, onde a Ómicron foi detetada mais cedo do que noutros países europeus, verificou-se hoje o valor mais alto de infecções em dois anos de pandemia, com quase 80 mil novos casos positivos.
De acordo com os dados revelados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a Ómicron é responsável por 10% dos casos em Portugal, prevendo-se que esse valor triplique até ao próximo domingo. No Natal será já a variante dominante.
A gravidade da doença parece ser inferior à provocada por outras variantes e as vacinas administradas conferem alguma proteção, segundo estudos preliminares, mas ainda não há informação suficiente.
A multiplicação do número de infeções num curto período de tempo e em pleno Inverno é o que todos os especialistas queriam evitar. À luz dos dados que hoje conhecemos, a “fase de contenção” que o governo planeou fazer em janeiro talvez chegue demasiado tarde. A funcionar, um novo confinamento deveria ser feito já, à semelhança do que tem sido decidido noutros países europeus, para tentar travar a progressão da nova variante enquanto se reforça a vacinação.
A ministra da Saúde irá falar esta sexta-feira ao país, em conferência de imprensa, previsivelmente para alertar para os novos desafios que esta variante nos coloca, e para pedir cuidados redobrados nos encontros familiares nesta quadra.
António Costa deixou hoje expresso, por meias-palavras, que o governo não quer “cancelar o Natal” mas provavelmente irá prolongar a “pausa forçada” de janeiro. Um confinamento que durará mais uma semana, até final do mês, até ao Carnaval? Tudo irá depender da evolução e do comportamento da Ómicron, e de quanta pressão adicional conseguirão (ainda) aguentar os nossos hospitais.
Governo prevê avançar com 4.ª dose da vacina
Portugal já apresentou um pedido de compra conjunta de uma nova vacina covid-19 adaptada à variante Ómicron, para o caso de ser necessária uma quarta dose, anunciou hoje em Bruxelas o primeiro-ministro.
“Está a decorrer um processo de compra conjunta de uma vacina já adaptada à [variante do vírus] Ómicron, que estará disponível após a primavera, e já apresentámos o pedido de aquisição”, disse António Costa, em declarações à entrada para a reunião do Conselho Europeu.
O chefe do Governo explicou ainda que o pedido de compra abrange a quantidade suficiente para poder ser administrada “uma quarta dose de reforço [da vacina], se ela vier a ser necessária como, infelizmente, é de prever”.
António Costa referiu ainda esperar que essas vacinas possam ser doadas por não ter sido necessário utilizá-las.
*Com Lusa
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