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Foram hoje confirmados em Portugal 13 casos da Ómicron, a nova variante do coronavírus, pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Em comunicado conjunto, o INSA e a Direção-Geral da Saúde (DGS) revelam que os ensaios preliminares efetuados “sugerem fortemente que todos os 13 casos associados aos jogadores do Belenenses SAD estejam relacionados com a variante de preocupação Ómicron”. Um dos jogadores infetados regressou recentemente da África do Sul, onde esta variante foi inicialmente identificada, a 9 de novembro. 

O Instituto Ricardo Jorge está a realizar a sequenciação do genoma para confirmação final destes casos. No entanto, acrescenta a nota, “o valor preditivo dos ensaios já realizados é muito elevado”.

Apesar da elevada taxa de vacinação em Portugal, as autoridades de saúde previam possíveis agravamentos da pandemia com a chegada do Inverno com base em duas variáveis: a diminuição do número de anticorpos entre a população já duplamente vacinada, uma vez que com o decorrer do tempo a imunidade vai baixando (daí a decisão de fazer um reforço com uma 3ª dose) e a possibilidade de surgir uma nova variante do SARS-CoV-2 mais resistente. Será o caso da Ómicron, tal como confirmou esta segunda-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS), alertando em comunicado que o risco global representado pela nova variante Ómicron é “muito alto”, com potencial para ser mais resistente à imunização e mais contagiosa. “Pode haver novas ondas de covid-19 com consequências graves, dependendo de muitos fatores, como os locais onde essas ondas ocorrem”, refere a OMS.

Perante estes riscos, a OMS pede aos Estados-membros que tomem algumas medidas prioritárias, incluindo “acelerar a vacinação contra a covid-19 o mais rápido possível, especialmente entre a população de risco que permanece não vacinada”. Solicita também a todos os países que aumentem as medidas de vigilância, notifiquem possíveis casos ou surtos associados à variante e que os laboratórios aumentem o trabalho de sequenciação necessário para analisar a estrutura deste coronavírus.

Perguntas & Respostas | O que sabemos sobre a Ómicron?

Porque se chama Ómicron?
Esta variante do SARS-CoV-2 foi detetada a 9 de novembro na África do Sul. Os cientistas identificaram-na como B.1.1.529 mas, seguindo as indicações da OMS para que se usem as letras do alfabeto grego para designar as variantes do coronavírus consideradas de interesse ou de preocupação, evitando a nomeação “estigmatizante e discriminatória” pelo local onde foram detectadas, recebeu o nome Ómicron. A variante B.1.1.7, detectada pela primeira vez no Reino Unido, foi baptizada “Alpha”. Já a B.1.351, com origem na África do Sul, passou a chamar-se “Beta”. Por sua vez, a P.1, identificada no Brasil, “Gamma”. As sublinhagens B.1.617.1 e B.1.617.2 da variante B.1.617, com origem na Índia, foram designadas “Kappa” e “Delta”, respectivamente. Esta nova variante deveria ter sido designada pelas letras Nu ou Xi, mas a OMS decidiu saltar para Ómicron, considerando que poderiam causar “confusões desnecessárias”, além de que é sua política evitar “causar ofensa a qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico”. Nu seria muito parecido com “new” e Xi é um nome muito comum na China – é inclusive o nome do presidente, Xi Jinping. 

Porque pode ser esta variante mais perigosa do que as anteriores?
A Ómicron terá cerca de 30 mutações na proteína “Spike” (como uma espícula, que permite ao vírus entrar nas células humanas), o que lhe dará mais capacidade de infetar humanos. Os estudos iniciais realizados na África do Sul indicam que a Ómicron pode ter um índice de transmissibilidade (Rt) de 2, o que significa que cada pessoa infetada contagia outras duas. Esse é um valor superior à de qualquer outra variante conhecida. A Delta levou pouco mais de um mês a tornar-se prevalente em Portugal, desde o registo dos primeiros casos, sendo hoje responsável por mais de 98% das infeções registadas.

As vacinas que tomámos não protegem contra esta variante?
Não há ainda estudos suficientes que indiquem o nível de resistência das vacinas existentes, além de que o nível de imunidade conferido é de aproximadamente seis meses, decaindo ao longo deste período, desde o momento da primeira toma. Há também reações diferentes de pessoa para pessoa, havendo quem mostre resistência a infeções mesmo quando já tem níveis de anticorpos baixos, enquanto outras são infetadas mesmo poucas semanas depois de duplamente vacinadas. O que se tem comprovado é uma maior capacidade de reação à doença, não desenvolvendo sintomas graves. A preocupação maior com a Ómicron deve-se também ao facto de ter mutações na proteína Spike, precisamente onde a maioria das vacinas atua, mas várias farmacêuticas anunciaram já que terão no início do próximo ano novas vacinas preparadas para atuar de forma “mais robusta” contra esta variante.

Podem haver novos confinamentos por causa desta variante?
Ainda é cedo para saber. Neste momento há uma tentativa de conter a propagação de casos impondo restrições às viagens aéreas da África Austral, mas esta variante já está a ser detetada em vários pontos do mundo. Pelo princípio de precaução, a OMS apelou ao reforço urgente das campanhas de vacinação em curso e as pessoas mais vulneráveis, como idosos e doentes crónicos devem ser mais resguardadas. 

*Com Lusa

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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1 Comentário

  1. Central do Pego-Plásticos- papel- celuloses . Andamos a fugir de quê ? E se utilizássemos um pouco de tudo em menor quantidade ? fugir do plástico para o papel (celuloses) !

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