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Em apenas uma semana, o número de casos de covid-19 mais do que duplicou em Portugal: foram identificados 157.502 casos, mais 57.959, um aumento de 58 por cento. Portugal é agora o país da União Europeia com maior número de novos casos diários de infecção por SARS-CoV-2 por milhão de habitantes nos últimos sete dias, e também o país do mundo com mais mortes diárias associadas à doença, tal como se pode verificar nos quadros estatísticos comparativos do site Our World in Data.

O país está agora com uma média diária de 30 mil novas infeções, e poderá chegar às 60 mil nas próximas duas semanas, segundo o relatório de monitorização da situação epidemiológica da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado na sexta-feira.

Nas mortes, a subida foi de 33% (mais 47 óbitos) e a mortalidade a 14 dias por um milhão de habitantes, que na semana passada estava nas 26,1 mortes, subiu agora para os 32,5 óbitos e continua com “tendência crescente”, afastando-se do limiar de 20 óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças.

Estamos neste momento bem perto do valor mais alto de mortalidade já registado em Portugal, e que ocorreu em fevereiro de 2021, quando foram registados 28,61 novos óbitos diários por milhão de habitantes.

A maioria dos óbitos continua a verificar-se na faixa acima dos 80 anos, pelo que a DGS decidiu já avançar com uma nova dose de reforço (4ª dose) da vacina junto desta população.

A ocupação de cuidados intensivos também aumentou esta semana 40%, estando agora ocupadas 85 das 255 camas definidas para o “limiar crítico” da resposta à pandemia.

Na região do Médio Tejo registaram-se 3.246 novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 na última semana (+820 que na semana anterior), a maioria em Ourém (683), Abrantes (580) e Tomar (566).

Para este aumento da incidência “poderão ter contribuído fatores que incluem a redução da adesão a medidas [de proteção], o período de festividades e o considerável aumento de circulação de variantes com maior potencial de transmissão”, lê-se no relatório da DGS.

A variante BA.5 da Ómicron é já a nova dominante em Portugal, devendo ser responsável por 80% dos casos verificados este domingo. Esta é uma linhagem mais transmissível e com algumas mutações associadas a uma maior capacidade do vírus para infectar e fugir ao sistema imunitário mas, para já, nada indica que possa provocar formas mais severas da doença.

O risco de transmissibilidade (Rt) avançou de 1,13 para 1,23 e o aumento de casos de covid-19 em Portugal está novamente a obrigar ao isolamento de milhares de portugueses e, consequentemente, começa a notar-se a falta de funcionários em vários serviços públicos, das escolas às Finanças, da Segurança Social aos centros de saúde. Por exemplo, no Hospital de São João, no Porto, esta semana estavam 200 profissionais em isolamento, e em Leiria o serviço de Obstetrícia teve mesmo de fechar, por três dos seus médicos estarem com covid-19.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, vincou na sexta-feira a importância do reforço de cuidados entre a população, lembrando que Portugal poderá chegar às 60 mil infeções diárias nas próximas duas semanas e sugerindo, por isso, a utilização de máscara “em ambientes fechados e aglomerados”, apesar do seu uso já não ser obrigatório.

Patrícia Fonseca

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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