Foto ilustrativa: Salmo Duarte

A direção do Centro de Bem Estar Social de Minde repudiou ao início da noite de domingo, 29 de novembro, uma notícia avançada no mesmo dia pela TVI de que os idosos infetados com SARS-CoV-2 estavam a chegar ao Centro Hospitalar do Médio Tejo sujos e desidratados, morrendo dessas mazelas e não tanto de Covid-19. Nos comentários ao comunicado, publicado na página de facebook da instituição, há quem critique a reportagem televisiva, mas há também quem afirme que a negligência da instituição é conhecida na comunidade. A presidente da Câmara, Fernanda Asseiceira, já manifestou a sua solidariedade com o Centro de Bem Estar.

Na reportagem da TVI, emitida inicialmente em direto e posteriormente numa peça noticiosa, é referido que, segundo informações recolhidas junto de fontes da Urgências, os idosos estão a morrer não tanto de Covid-19 mas de negligência e falta de cuidados. Segundo as mesmas notícias, os idosos chegam às Urgências com más condições de higiene, sujos, feridos e desidratados.

Até ao momento são conhecidos 11 mortos do surto de Covid-19 na instituição de Minde. Este surto, que atingiu praticamente toda a instituição e contabilizou 158 casos positivos, tem colocado Alcanena com o nível mais alto de risco de contágio, não obstante a reduzida dimensão do território e a ausência de mais surtos similares.

Ao fim do dia o Centro de Bem Estar Social manifestou-se em comunicado publicado na sua página de facebook. Segundo a informação, assinada pela direção, esta “vem manifestar o seu repudio, por a mesma não corresponder à verdade, pondo em causa o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, pelas directoras técnicas , funcionárias, demais colaboradores, e direcção que ao longo das várias décadas que presta serviços na área de apoio social”.

“No passado dia 7 de Novembro surgiu um surto de Covid na resposta social de ERPI. Desde a primeira hora contamos com a colaboração e apoio da da Delegada de Saúde , Presidente da Câmara Municipal de Alcanena, Proteção Civil (Bombeiros Voluntários de Minde e Bombeiros Municipais de Alcanena) , Centro Distrital de Segurança Social de Santarém, Associação Humanitária de Emergência de Busca e Salvamento Internacional, no que concerne à implementação das medidas que se revelaram mais adequadas ao tratamento da situação, para salvaguarda da saúde e do bem estar dos nossos idosos”, explica.

“Acresce que, somos uma instituição com mais de 4 décadas de existência, que prima por uma prestação de serviços de excelência que tem permitido consolidar o bom nome da Instituição. Desta feita, repita-se, repudiamos veementemente a informação veiculada, por não corresponder à verdade, nem tão pouco ter sido indagada a veracidade da mesma”, conclui.

captura de ecrã da página de facebook do Centro de Bem estar Social de Minde realizada pela jornalista às 10h46 de 30 de novembro de 2020

Nos cerca de 90 comentários que se podiam visualizar na página de facebook na manhã desta segunda-feira, 30 de novembro, há quem apoie a instituição, mas também quem a critique. Numa publicação podia ler-se: “Nunca tive um dedo a apontar a esta instituição, mas de há um tempo para cá que não a vejo com muitos bons olhos. É uma desorganização, a começar pelas fraldas que as pedem a toda a hora. Aos medicamentos que são levantados na farmácia na Mira d’Aire e, para não falar nos medicamentos que receitam e o utente nem o toma. Não sei se acontece com mais alguém, mas aconteceu com o meu avô. E para terminar, uma pessoa liga para lá para saber o ponto da situação (por causa do Covid) e para saber como as pessoas se encontram e a única resposta que tem é que está sempre tudo bem…”.

Entretanto a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, já manifestou o seu apoio à instituição. Numa nota também publicada na página de facebook do município, pode ler-se que “perante a notícia hoje divulgada pela TVI, no Jornal das 13h, e enquanto presidente da Câmara Municipal, venho manifestar a minha solidariedade para com a Instituição, neste momento difícil, para além do que já está a enfrentar, desde o passado dia 07 de novembro, com o surto provocado pela COVID-19”.

“Informar que já solicitei os devidos esclarecimentos ao Presidente do Conselho de Administração do CHMT, considerando que a fonte são as «urgências do Hospital de Abrantes», e à Comissão Distrital de Emergência e Proteção Civil, para avaliação das diligências a tomar. Os utentes e suas famílias precisam de sentir tranquilidade e segurança. As trabalhadoras precisam de ter coragem e motivação. A Direção precisa de ter determinação e de sentir a nossa confiança”, conclui.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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