Percentagem de internados em cuidados intensivos por covid-19 cai de 25% para 7% no Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

Apesar do aparente cenário de abrandamento do número de contágios por covid-19, que tem inclusive levado diversos setores da sociedade a retomar atividades até então canceladas, a situação continua a inspirar cuidado e atenção. Exemplo disso é o número de internamentos no Centro Hospitalar do Médio Tejo, que não tem dado mostras de redução.

É de 51 é o atual número de internamentos por covid-19 registados no Centro Hospitalar do Médio Tejo (que inclui os hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas). Uma situação que se tem mantido há cerca de três semanas, disse ao mediotejo.net o presidente do Conselho de Administração do CHMT, Casimiro Ramos.

“A situação no momento tem-se mantido em termos de infetados em enfermaria há três semanas entre 45 a 51 doentes. Esta noite [referindo-se a 8 de março] estavam 51”, diz.

“Bastante contrariados mas vemos que não tem baixado, tem-se mantido”, acrescenta, sublinhando, porém, que de momento “felizmente, não temos ninguém em cuidados intensivos. Já há quase um mês que só houve 1 ou 2 casos internados em cuidados intensivos”.

Não obstante, Casimiro Ramos explica que têm sido recorrentes os episódios de doentes que chegam ao hospital por outra patologia e que “ao serem testados, é detetado o Covid-19 e passam a estar internados muitas das vezes porque tiveram covid-19 e não por causa daquilo que na urgência seria tratado normalmente”.

Com a expectativa de ver o número de internamentos baixar, para se poder libertar recursos, nomeadamente, enfermeiros, “para outras enfermarias para aumentar o atendimento e diminuir as listas de espera”, o CHMT continua a acompanhar “a par e passo a situação” com reuniões semanais com as direções de serviço “para planearmos como é que vamos alocar os recursos em função da variação dos internados”, conclui o presidente do CHMT.

CHMT abre “via verde” de testagem para refugiados ucranianos

Planeamento. É a palavra-chave usada pelo presidente do Centro Hospitalar para se referir à questão da chegada de refugiados ucranianos à região.

Questionado sobre que ações está o CHMT a tomar neste sentido, o responsável deu conta de que assim que a guerra na Ucrânia se iniciou a primeira coisa a fazer foi ligar aos profissionais de origem ucraniana a trabalhar nas unidades hospitalares (cerca de sete profissionais de saúde) “para saber como podíamos ajudar e a mostrar o nosso apoio para aquilo que necessitarem”.

“Com a chegada de refugiados, o primeiro passo a ser dado é abrirmos uma via verde para a testagem de todos os que chegam. A nossa intenção é de fazê-lo no hospital, serem recebidos por um profissional ucraniano que trabalhe no Centro Hospitalar para lhes explicar como funciona o sistema de saúde, nomeadamente no acesso ao hospital, que procedimentos devem fazer”, elucida, dando conta de que o CHMT foi já esta semana contactado pela Câmara de Tomar a informar que ao concelho vai chegar em breve um autocarro com refugiados.

Admitindo que o tratamento a ser dado a estes cidadãos será o mesmo dado “a qualquer”, Casimiro Ramos diz ainda ser “prematuro” estar a reservar camas para acolher estas pessoas que vão chegar. “Temos disponibilidade, e havendo disponibilidade têm o atendimento como qualquer cidadão”, afirma.

ÁUDIO | Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT

Em cima da mesa está ainda a possibilidade de nas três unidades hospitalares – Abrantes, Tomar e Torres Novas – virem a nascer centros de recolhas de medicamentos.

“Falei disso com a Cruz Vermelha e é uma hipótese que ainda pode vir a surgir, depende da logística com que isso é montado”, sublinha o responsável do CHMT que conclui: “Tem que haver um planeamento”.

Portugal registou 12.794 novas infeções com o coronavírus SARS-CoV-2 nas últimas 24 horas, mais 18 mortes associadas à covid-19 e nova diminuição dos internamentos em enfermaria, indicou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Segundo o boletim epidemiológico diário da DGS, hoje estão internadas 1.127 pessoas, menos 47 do que na quarta-feira, enquanto nas unidades de cuidados intensivos estão agora 70 doentes, menos dois do que no dia anterior, embora nem todos os internamentos se devam à covid-19, podendo ser motivados por outras patologias apesar da existência de infeção com SARS-CoV-2.

O número de casos ativos aumentou hoje para 482.801, mais 4.457 do que na quarta-feira, e nas últimas 24 horas foram dadas como recuperadas 8.319 pessoas, para um total de 2.876.177 recuperadas desde o início da pandemia.

Das 18 mortes nas últimas 24 horas, cinco aconteceram na região Centro, cinco na região Norte, três em Lisboa e Vale do Tejo, duas no Alentejo, duas no Algarve e uma na Região Autónoma da Madeira.

Por faixas etárias, morreram 14 idosos com mais de 80 anos e quatro pessoas com idades entre os 70 e 79 anos.

A maior parte dos novos contágios foi diagnosticada na região de Lisboa e Vale do Tejo, com 5.252 infeções, seguindo-se o Centro (2.498), o Norte (2.066), o Alentejo (1.041), o Algarve (832), Madeira (762) e Açores (343).

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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