Esta segunda-feira, dia 13 de outubro, às 21h30, a cidade de Tomar será palco de uma evocação histórica e simbólica em memória de D. Gualdim Pais, fundador da cidade e Mestre da Ordem do Templo em Portugal. A Associação Thomar Honoris, em parceria com o município de Tomar, organiza um Cortejo Templário, que partirá da Alameda 1 de Março e percorrerá as ruas da cidade até à Praça da República.
O cortejo culminará junto à estátua de D. Gualdim Pais, onde terá lugar a cerimónia de homenagem e depósito de uma coroa de flores, gesto de respeito e reconhecimento pela figura que legou a Tomar a sua identidade templária e a sua memória imortal.
Este momento solene pretende unir comunidade, história e património, reforçando os laços da cidade com as suas origens templárias e honrando a memória de um dos maiores protagonistas da História de Portugal.
O 13 de outubro muito diz aos templários e também a Tomar, cidade onde Gualdim Pais viria a falecer, naquele dia do ano de 1195, com 77 anos, tendo ali sido sepultado, na frente da Igreja de Santa Maria dos Olivais. No século XVI, os túmulos, e todo o Panteão, foram destruídos na campanha de obras maneirista da igreja. A lápide de D. Gualdim Pais foi afixada na parede lateral dentro da Igreja.

Ordenado como quarto Preceptor da Ordem em Portugal (1157), então sediada em Soure, Gualdim Pais fundou, nessa qualidade, o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo (1160), que se tornou o Quartel-General dos Templários em território português, dando foral à nova vila no ano de 1162. Também fundou o Castelo de Almourol, o de Idanha, o de Monsanto e o de Pombal. O dia 13 de outubro marca também o início da trágica história dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de outubro de 1307, e que culminaria com a extinção da Ordem em 1312 pelo Papa Clemente V.
Os Templários e o dia 13 de outubro
Em 1099, Jerusalém foi tomada pelos exércitos da segunda Cruzada à Palestina. Cerca de vinte anos depois, nove cavaleiros oriundos da França e da Borgonha constituem-se em irmandade com o propósito de protegerem os peregrinos nos perigosos caminhos entre o porto de Acre e Jerusalém.
O seu mestre fundador, foi Hugo de Payens, da Borgonha, que com os demais cavaleiros assumem os votos monásticos de pobreza, castidade e a obediência.
Em 1128 a sua irmandade, entretanto numerosa, foi reconhecida pelo concílio de Troyes como ordem monástico-militar com o nome de Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo. É então que os cavaleiros abandonam as instalações na igreja do Santo Sepulcro, que os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho lhes tinham cedido, para irem ocupar o seu palácio e outras construções que o rei franco Balduíno II lhes dá, no terraço de Heródes, no antigo templo de Jerusalém. Entre estas construções receberam, para sua igreja conventual, a Mesquita do Rochedo que o califa Omar começara a construir em 642.
Com o tempo, na cultura cruzadesca, a imagem da mesquita transformou-se num imaginário Templo de Salomão e os cavaleiros passaram a ser conhecidos por Cavaleiros do Templo de Salomão ou simplesmente Templários. Também com o tempo, a sua missão mudou e, de defensores de peregrinos, passaram a defensores dos estados cristãos da Terra Santa. A Ordem será mantida graças aos numerosos dons que lhes faziam na Europa, agrupados e administrados de forma metódica em Comendas.
A sua missão durou cerca de 200 anos, período durante o qual a Palestina esteve sob o domínio dos cruzados e o poder dos Templários cresceu graças à sua disciplina militar e organização logística.

A queda de Jerusalém em 1291, marca o início da trágica história dos Templários que, perseguidos por Filipe IV de França, num processo iniciado em 13 de outubro de 1307, culmina com a extinção da Ordem a 22 de março de 1312 pelo Papa Clemente V e a morte na fogueira do último mestre templário, Jacques de Molay, em outubro de 1314.
Porém, o processo de extinção teve um desfecho bem diverso em Portugal, pois o rei D. Diniz logra manter os cavaleiros e os bens dos Templários, sob o nome de uma nova ordem de cavalaria circunscrita ao seu Reino: a Ordem de Cristo.


