A questão do acesso à praia fluvial de Alverangel voltou a ser levantada na reunião do executivo municipal de Tomar, na tarde de segunda-feira, com moradores a reclamarem soluções para um caminho bloqueado há cerca de dois anos.
Segundo relatou uma cidadã presente na reunião de Câmara, o acesso sempre existiu, atravessando o terreno até à praia fluvial, classificada com qualidade “ouro” entre 2016 e 2024.
“Entretanto, o novo proprietário do terreno que confronta com este caminho vedou a passagem”, explicou, acrescentando que, apesar de ter sido prometido um passadiço como solução, o local encontra-se hoje “irreconhecível”, com árvores cortadas, construções ampliadas e esgotos a correr para o rio.
A cidadã lamentou ainda a impossibilidade de acesso público à praia, considerando que a situação favorece apenas quem detém recursos financeiros.
O presidente da Câmara, Tiago Carrão, reconheceu a frustração dos moradores e detalhou a complexidade do caso. Segundo explicou, há dois proprietários envolvidos: um junto ao rio, com quem já existia um acordo para construir um passadiço, e outro, mais a norte, que detém o portão e não permitiu a passagem.
“Não é possível, tendo em conta que passa por um atravessamento de caminhos privados e que o proprietário, legitimamente, não permite esse acesso”, afirmou o autarca eleito pela Coligação PSD-CDS-PP, acrescentando estar disponível para novas conversações que possam viabilizar uma solução.
Hugo Cristóvão, vereador do PS e ex-presidente da autarquia, contextualizou o caso como sendo de longa duração. Recordou que a situação judicial envolveu várias décadas, incluindo uma ação movida pela Junta de Freguesia de São Pedro, concluída em 2023.
“Quando a parcela junto ao rio passou de proprietário, houve alterações e o acesso ficou vedado pelo novo dono do portão”, explicou. Cristóvão salientou que a Câmara tentou negociar soluções, lançou uma empreitada para construir o passadiço e chegou a adjudicar a obra.
Contudo, a existência de uma segunda proprietária inviabilizou a execução da empreitada. “Havia exigências dessa segunda proprietária que não eram legalmente possíveis de cumprir”, disse, destacando que ainda existe margem para retomar negociações e devolver à população o acesso ao local.
Tiago Carrão acrescentou que o município só se apercebeu da existência do segundo proprietário tarde, o que levou à adjudicação de uma obra que não poderia ser realizada, resultando no pagamento de indemnização ao empreiteiro.
“É curioso como é que só a dada altura se percebeu que havia um segundo proprietário”, afirmou.
Durante a sessão, a cidadã voltou a questionar como os munícipes poderão aceder ao rio na época balnear e criticou o que considera uma aplicação desigual da justiça, afirmando que “o dinheiro compra tudo” e que para os mais pobres a lei é mais restritiva.
A praia fluvial, considerada um ponto de referência para moradores e visitantes, permanece de acesso limitado, enquanto a Câmara de Tomar admite que apenas negociações com os proprietários poderão viabilizar um retorno parcial ou total do percurso público.
O executivo municipal deixou claro que o processo será alvo de novas conversas, mas que a solução depende da boa vontade dos proprietários envolvidos e do cumprimento das decisões judiciais existentes.
