Comando Distrital de Operações de Socorro de Santarém. Foto arquivo: mediotejo.net

As comunicações em casos de emergência estão a ser asseguradas pela rede Siresp na prestação de socorro por parte de corporações de bombeiros, como é o caso no distrito de Santarém, devido à avaria que afeta desde segunda-feira a operadora Vodafone.

O Comandante Operacional Distrital de Santarém (CODIS), David Lobato, disse hoje ao mediotejo.net que desde segunda-feira algumas corporações tiveram “constrangimentos” nas comunicações, nomeadamente nos números habituais dos quartéis ao nível de receção e emissão de chamadas, consequência dos constrangimentos na Vodafone, justificados pela empresa por um ciberataque, e que hoje já todas comunicam via rede rádio.

ÁUDIO | DAVID LOBATO, COMANDANTE DISTRITAL (CODIS) SANTARÉM:

“O maior problema” que a situação colocou foi com o CODU – Centro de Orientação de Doentes Urgentes -, como explicou o comandante, ao nível da emergência médica, mas, “desde as 21:00 de segunda-feira que, por indicações nacionais, ficou estabelecido que estas comunicações passaram a ser feitas através da rede do estado para as situações de emergência e segurança, o Siresp.

Segundo concretizou, em caso de emergência, as pessoas devem ligar o 112 e são encaminhadas para os chamados CODU do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica”.

Este é o processo habitual, o que a avaria nas comunicações da operadora veio impedir foi que o CODU acione os corpos de bombeiros diretamente por telefone.

Para outros casos, que não as emergências médicas, apenas duas a três corporações de bombeiros do distrito, entre elas as de Alcanena e de Benavente, por exemplo, tinham os sistemas alicerçados na Vodafone e, neste momento, em alternativa e até que a situação normalize, estão a trabalhar normalmente via rede rádio.

A rede Siresp permite também o contacto através de canais internos entre as diversas corporações, nomeadamente ao nível distrital.

David Lobato, comandante distrital de operações de socorro (CODIS) de Santarém. Foto: mediotejo.net

INEM ativou plano de contingência para fazer face aos constrangimentos 

O INEM indicou hoje que “ativou no imediato o seu plano de contingência” para fazer face aos constrangimentos verificados com a rede Vodafone, garantido que esteve sempre a funcionar o sistema de emergência médica.

“Face aos constrangimentos verificados ontem [segunda-feira] e hoje na rede Vodafone no acionamento de meios de emergência, o INEM ativou no imediato o seu plano de contingência, privilegiando o acionamento através da rede SIRESP e recorrendo aos sistemas redundantes de que dispõe em termos de telecomunicações móveis”, refere o Instituto Nacional de Emergência Médica, numa resposta enviada à Lusa.

O INEM assegura que, “deste modo, esteve sempre garantido o funcionamento do Sistema Integrado de Emergência Médica”.

Os constrangimentos verificados no INEM surgiram após o ciberataque à Vodafone, mas o Instituto Nacional de Emergência Médica garante que “todas as chamadas de emergência transferidas pelas Centrais 112, geridas pela PSP, para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM sempre estiveram asseguradas a 100%, não se verificando qualquer situação anómala”.

O INEM apela ainda “à colaboração dos cidadãos, solicitando que liguem para o Número Europeu de Emergência – 112 apenas em caso de emergência” e que “todas as situações referentes a aconselhamento devem recorrer ao Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde, através do 808 24 24 24, o que permitirá que aos CODU do INEM cheguem apenas chamadas de verdadeiras emergências médicas”.

Em conferência de imprensa, o presidente executivo da Vodafone Portugal, Mário Vaz, deu conta que serviços essenciais que dependem da rede da Vodafone Portugal, como o INEM e alguns bombeiros foram afetados, mas que já foi recuperado o acesso a serviço voz e dados 3G.

Mário Vaz garantiu que a Vodafone continua “a trabalhar de forma muito próxima com a equipa do INEM”.

A operadora Vodafone assumiu hoje que foi alvo de um ciberataque na segunda-feira e disse que não tem indícios de que os dados de clientes tenham sido acedidos e/ou comprometidos, estando determinada em repor a normalidade dos serviços.

c/LUSA

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