“Coragem Militante”, por Júlio Costa. Foto: DR

É preciso valorizar muito mais a coragem, a coragem da iniciativa, da militância. A coragem é necessária para resistir, começar a lutar e avançar contra a ordem das coisas. A coragem é irmã (gémea) da militância.

Intervenção “A coragem e a determinação na Acção do PCP” no XXII Congresso do PCP, por Edgar Silva, membro do Comité Central

O “banho de realidade”, que foi o XXII Congresso do PCP (Almada, 13, 14 e 15 de Dezembro, 2024), continua a limpar a mente das demagogias, opróbrios e atestados de estupidez que o povo português sofre e aguenta, diariamente. A passagem da intervenção do camarada Edgar Silva, com a qual abro esta crónica, resume bem o clima daqueles dias do Congresso. Apesar de todas as dificuldades ali relatadas, em todas elas havia algo comum: coragem. É preciso coragem para ir contra todas as injustiças que preenchem o nosso dia a dia. É preciso determinação para não nos deixarmos absorver no comodismo do “isto sempre foi assim”, “já não há volta a dar”, “ninguém consegue mudar nada”. É preciso coragem para não desistir!

Vivemos tempos em que as forças titânicas do grande capital impõem formas de pensar e formas de agir, como fórmulas para o sucesso individual – a única coisa que interessa, o outro que trate de si. Neste mundo do “salve-se quem puder, lutar por aumentar a possibilidade de salvar alguém para além do individuo requer uma boa dose de coragem – chovem vitupérios, sem coragem não se aguenta.

Quando nos reprovam (eufemismo) por dizermos o que pensamos, porque não se encaixa na arrumação vigente, seria mais fácil, nas vezes seguintes, ficarmos de boca fechada e seguirmos com a nossa vida – com coragem, nós, militantes comunistas, dizemos o que tem de ser dito.

Apenas as mentes corajosas e determinadas fazem do seu proveito pessoal o bem do colectivo – fazer do próprio sonho uma sociedade sem classes; ao arrepio da sua engorda monetária, almejar um mundo sem exploração do Homem pelo Homem. Ora, também sabemos que, sem o bem-estar colectivo, torna-se impossível o bem-estar individual. E se a maioria pertence à classe trabalhadora, à classe trabalhadora tudo pertence – nesse mundo também haverá um trabalho para que o capitalista se torne trabalhador.

Portanto, acrescento uma vírgula ao título, para formar o vocativo: Coragem, militante (das causas justas)! Quando parecer que tudo está perdido, lembra-te que não estás sozinho. Com coragem e determinação, isto dá a volta!

Natural de Torres Novas (n. 1989), onde vive, é artista visual e doutorando em História da Arte. Licenciado em Filosofia e mestre em Mercados da Arte, é membro da Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP e membro dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP.

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