Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

“Esse vai ser um dos projetos mais importantes da história da vida deste aeródromo e deste concelho. Há cerca de 12 anos a esta parte, e 12 anos passam depressa, não estamos a falar de décadas, este aeródromo tinha 40 ou 50 postos de trabalho. Hoje tem perto de 600 com três agendas mobilizadoras a terem de ser executadas até final de 2026, que implicam também elas mais 400 ou 500 postos de trabalho aqui em dois anos”, disse Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor, no arranque do Portugal Air Summit, tendo destacado o projeto do LUS 222.

“O LUS 222 é o produto dentro dessas agendas que terá o maior impacto em toda aquela que é a dinâmica do aeródromo, mas aqui não só do aeródromo, do cluster nacional português. O LUS 222 não é um projeto de Ponte de Sor, é um projeto do país e do país para o mundo e, portanto, estamos ansiosos, expectantes que possamos começar a construir a primeira fábrica, a fábrica desse avião o mais rapidamente possível aqui no aeródromo”, disse o autarca, tendo adiantado que a construção da fábrica está prevista para o início de 2026.

Hugo Hilário respondia aos jornalistas no âmbito do Portugal Air Summit, tendo dado conta que as expectativas para esta edição eram “altas”, tendo abordado ainda a questão das acessibilidades, as três agendas mobilizadoras para Ponte de Sor, o transporte aéreo de passageiros, o concurso internacional de construção e lançamento de rockets.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

ÁUDIO | HUGO HILÁRIO, PRESIDENTE CM PONTE DE SOR:

Questionado sobre se esta será a maior edição do Air Summit, Hugo Hilário disse que o evento está crescendo continuo, desde 2017, e que as expectativas são altas.

“Vamos ver o que dizem os números no final, mas provavelmente sim… As expectativas são altas, esta que é a 7ª edição do Portugal Air Summit, um instrumento promocional que criámos aqui há uns tempos e que se tornou na maior cimeira aeronáutica da Península Ibérica, acrescentando valor e promovendo o nosso aeródromo municipal. Este cluster criado aqui nesta infraestrutura do aeródromo, com o principal propósito sempre que é atrair investimento, atrair investidores, criar emprego e assim poder criar riqueza no concelho. O impacto deste projeto já tem, nos últimos anos, ultrapassado mesmo as fronteiras do município de Ponte de Sor. Já é um projeto de nível nacional e também com alguns players internacionais e, portanto, aproveitar estes dias do Portugal Air Summit para fazer negócio, para fazermos contactos, para consolidarmos cada vez mais este projeto do aeródromo e é para isto mesmo que serve”, declarou.

Questionado sobre o problema de acessibilidades, nomeadamente rodoviárias, o autarca falou na importância de mostrar uma dinâmica que justifique os investimentos em causa.

“Eu tenho sempre uma visão muito própria sobre a questão das acessibilidades, e acho que primeiro temos também que justificar a necessidade dessas mesmas acessibilidades, por diferença com as que já existem. O que é que eu quero dizer com isto? Que também é preciso haver alguma dinâmica económica, também é preciso haver motivo para que possamos pedir a quem de direito para melhorarmos as nossas acessibilidades. Ponte de Sor neste momento, acho que já provou e comprovou a muitos, para não dizer a todos, que hoje já é mais do que justificável uma melhoria das acessibilidades, quer direto a capital do país, quer até acesso a norte”, afirmou.

“Temos trabalhado esse dossiê, temos falado com as várias tutelas, acho que a pouco e pouco as coisas se vão resolvendo, mas é verdade, a criação deste cluster e a sua dimensão hoje não pode ficar refém aqui de uma ou outra falta de acessibilidade que, efetivamente, nós temos, não só em Ponte de Sor, mas também no distrito de Portalegre”, notou Hilário, tendo feito notar a falta de apoios neste momento, de apoios comunitários para esse fim.

“Nós temos dado os nossos indicadores, os nossos sinais, fazendo as nossas reivindicações sempre a pensar nisso, na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Há questões mais difíceis do que outras, as acessibilidades são sempre questões difíceis. Ainda há pouco o senhor ministro [da Coesão Territorial] referiu que infelizmente, os fundos estruturais, os fundos europeus, neste momento não se adaptam muito a esta questão das acessibilidades, terão de haver outros recursos, outras medidas, obviamente a nível do orçamento”, declarou.

Por outro lado, questionado sobre a possibilidade do Aeródromo Municipal poder receber voos de transporte de passageiros, Hugo Hilário não descartou a hipótese.

“Eu acho que isso é uma questão de tempo. Não desperdiçamos atenções até aqui, nós, gestão municipal, a pensar nessas coisas. O nosso foco foi sempre muito direcionado àquilo que temos hoje, a atração de investimentos, a atração de empresas, à diversificação daquelas que são as atividades dentro do próprio cluster. O que é que eu quero dizer com isto? Neste aeródromo está os meios aéreos da Proteção Civil, está a produção de aeronaves não tripuladas, está o ensino, está a instrução, o voo, estão empresas de produção de equipamentos, capacetes, máscaras e por aí fora e, portanto, o que quero dizer com isto é que esta diversidade é sinónimo de sustentabilidade do projeto”.

“Daqui para a frente”, continuou, “e tendo em consideração as necessidades do país, tenho a certeza que é uma questão de tempo, o aeródromo de Ponte de Sor poder vir a ser também selecionado para algum transporte e para algumas rotas aéreas, mas isso a seu tempo definiremos. Não tenho dúvidas que isso vai acabar por acontecer”.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

Hugo Hilário falou ainda do evento de conceção, produção e lançamento de rockets, que reúne todos os anos estudantes universitários de toda a Europa em Ponte de Sor e no Campo Militar de Santa Margarida.

“É mais uma iniciativa que somamos aqui ao nosso cluster e à cimeira Air Summit. Há três anos, questro anos a esta parte, recebemos um convite para verificarmos a possibilidade que teríamos em acolher aqui algumas universidades da Europa para a realização de um evento que simplesmente não conhecíamos. E quando me falaram que o evento era para produzir rockets, confesso, até pensei que poderia ser alguma brincadeira. Não era, eram seis universidades com os melhores alunos dessas mesmas universidades que planeiam, projetam, produzem rockets e que depois disputam entre eles o concurso desses rockets”.

“O projeto evoluiu, Ponte de Sor mais uma vez soube recebê-lo, correu bem, fizemos uma parceria com o campo militar de Santa Margarida, por questões de segurança, para o lançamento dos rockets e hoje temos em Ponte de Sor não seis, mas 25 universidades de toda a Europa, com três participações de universidades portuguesas, já com centenas dos melhores alunos destes cursos, das suas universidades e que vão produzir rockets durante estes dias e que os vão lançar no campo militar de Santa Margarida. Acho que é algo que também nos deve deixar orgulhosos e também é um impulso, principalmente promocional, deste nosso investimento e daquilo que temos conquistado até agora”, concluiu.

Ponte de Sor – Cluster da Aeronáutica no interior do País

O concelho de Ponte de Sor está envolvido em três agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com mais de 200 milhões de euros, esperando que sejam criados cerca de 500 postos de trabalho diretos e mais de 1.000 indiretos, a acrescentar aos atuais cerca de 600 postos de trabalho existentes.

Construção de fábrica de primeiro avião português inicia em 2026 em Ponte de Sor. Foto: Air Summit

A primeira agenda mobilizadora é a “Aero.next Portugal” (um consórcio), que será responsável por produzir a primeira aeronave portuguesa, o LUS 222.

Esta agenda contempla cerca de “140 milhões de euros” de investimento, “61%” dos quais para o Alentejo (75 milhões de euros), é ainda composta pela produção de uma aeronave não tripulada com capacidade “distinta” das que existem para a vigilância marítima e uma terceira componente relacionada com a mobilidade aérea avançada.

A segunda agenda mobilizadora, a “Neuraspace”, tem como objetivo “ajudar a resolver” os problemas relacionados com os lixos espaciais, sendo criado em Ponte de Sor um radar para dar resposta a esta necessidade.

Este projeto envolve “cerca de 20 milhões de euros” e criará cerca de 20 a 30 postos de trabalho diretos.

A terceira agenda mobilizadora, no âmbito do PRR, a “Newspace”, está por sua vez relacionada com a produção de microssatélites e comporta “cerca de 60 milhões de euros” de investimento, criando mais de uma centena de postos de trabalho.

O Portugal Air Summit decorre, até sábado, no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, sob o tema ‘Flying 4 Change’.

O evento é promovido pela Câmara de Ponte de Sor, em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Ponte de Sor (ACIPS) e tem como objetivo servir de “debate e inovação” para o setor, reunindo especialistas, decisores e entusiastas nesta área.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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