Autarca de Constância defende serviço obrigatório para médicos no Estado. Foto arquivo: Ricardo Escada7mediotejo.net

A confirmação chegou do presidente da Câmara Municipal em declarações ao mediotejo.net. Explica que Extensão de Saúde de Santa Margarida “há uns anos tinha dois médicos afetos, um deles saiu em mobilidade para a zona de Lisboa tendo ficado apenas a drª Lurdes Mendes que atingiu a idade da reforma. Neste momento não há serviço médico na Extensão de Saúde de Santa Margarida”.

Sérgio Oliveira deu conta de um trabalho de acompanhamento da situação por parte da Câmara Municipal bem como da “tentativa” junto do ACES de “ver se retoma o mais depressa possível os serviços médicos naquela Extensão de Saúde, com a colocação de um médico”.

Recorrem àquela Extensão de Saúde cerca de mil utentes, de acordo com o edil, sendo que permanecem ativos os serviços de enfermagem. Para os serviços médicos – ou seja, consultas e receituário – a alternativa “é deslocarem-se à sede, ao Centro de Saúde em Constância”, na margem norte do rio Tejo.

ÁUDIO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

ÁUDIO | PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONSTÂNCIA, SÉRGIO OLIVEIRA

Relativamente ao que o ACES transmitiu ao presidente da Câmara perante a situação de falta de médico, Sérgio Oliveira disse que, segundo Diana Leiria, diretora executiva do Agrupamento de Centro de Saúde do Médio Tejo, “estavam à procura, dentro de um conjunto de empresas prestadoras de serviços, se encontravam um médico para colocar o mais rapidamente possível em Santa Margarida para dar continuidade aos serviços médicos”.

Por seu lado, o autarca classifica a falta de médicos uma “praga que assola o país de norte a sul. Aquela visão de antigamente que um médico vinha para um local e fazia 20 ou 30 anos de carreira desapareceu, e, infelizmente, Constância juntou-se ao conjunto daqueles concelhos que têm dificuldade, porque até à saída da drª Lurdes tínhamos um médico em Santa Margarida, um em Montalvo e outro médico em Constância”.

“Com todas as dificuldades que pudessem existir, não nos poderíamos lamentar porque tínhamos três médicos a trabalhar no concelho, e os utentes, com mais ou menos dificuldade, conseguiam ter consultas e serviços médicos. Cai-nos aqui um problema”, disse o autarca, contando com “a determinação e boa vontade” do ACES na resolução do problema.

Extensão de Saúde de Santa Margarida, em Constância

Acreditando que “a larga maioria das pessoas tem consciência das dificuldades no recrutamento e na contratação de médicos para os centros de saúde” Sérgio Oliveira garante que a Câmara continuará a pressionar o ACES no sentido de “resolver” o problema “o mais depressa possível”.

Até lá, pede “a compreensão das pessoas para este período em que não há serviços médicos na Extensão de Saúde”, tendo assegurado que, “enquanto for presidente da Câmara, não me passa pela cabeça encerrar extensões de saúde ou concentrar serviços na sede do concelho”.

Há mais de um mês que era conhecida a possibilidade da médica, que prestava cuidados de saúde na Extensão de Saúde de Santa Margarida de Coutada, se reformar. Na reunião de executivo municipal do dia 15 de fevereiro a vereadora da CDU, Manuela Arsénio, pediu ao presidente um ponto de situação uma vez que a médica em causa tinha iniciado o processo de aposentação.

Em resposta, Sérgio Oliveira afirmou que a Câmara Municipal tinha conhecimento desse pedido de aposentação por parte da drª Lurdes e que na comunicação com o ACES foi-lhes transmitido que “estavam a ser estudados mecanismos para a solução”.

Dias depois, precisamente a 24 de fevereiro, na Assembleia Municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida, José Manuel Ricardo, eleito pelo PS, questionou o presidente sobre o mesmo problema, tendo o edil repetido que o ACES procurava soluções para a Extensão de Saúde agora sem médico.

Ao nosso jornal a ARSLVT confirmou que “no passado dia 01 de abril a médica de família que se encontrava a trabalhar na Unidade Cuidados Saúde Personalizados (UCSP) de Constância, polo de Santa Margarida, passou à condição de aposentada”, informando que “cerca de 1600 utentes deixaram de ter médico de família”.

Porém, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo conta “ter, já na próxima semana, uma resposta local para estes utentes, de forma a minimizar a ausência de médico de família. Esta necessidade foi já evidenciada na proposta de abertura de vagas para o próximo concurso nacional de acesso à carreira médica que, esperamos, venha a ser aberto ainda este semestre”.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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