Desconcertante mas divertida, é assim todos os anos a Festa Rural na Pereira, no concelho de Constância. Este ano, como as datas proporcionaram a coincidência de ser entre os dias 24 e 26, “resolvemos fazer a festa de Natal em agosto e temos aqui uma festa natalícia muito rural”, explica Nuno Alfaiate, presidente da Associação Os Quatro Cantos do Cisne.
Minutos antes do arranque de mais um Motorural, desfile de veículos, “desde o triciclo ao motociclo, do motocultivador ao trator”, o dirigente associativo lembra que tudo começou com uma brincadeira de amigos e já vai na 8ª edição.
No domingo, dia 26, os participantes alinharam na temática do Natal e fizeram questão de envergar pelo menos o barrete vermelho e branco. Outros foram mais longe e recriaram árvores de Natal, Pais Natal, lareiras com botas, entre outras referências natalícias, nas suas viaturas.
Depois da receção, inscrições e pequeno-almoço rural no recinto da festa, os participantes, em número recorde – 237 inscrições –, percorreram todos os lugares da freguesia “à estonteante velocidade de cerca de 17 km/h”.
Da Pereira saíram em direção a Malpique, depois aldeia de Santa Margarida, com paragem no Parque Ambiental para reforço alimentar, Portela, Vale de Mestre e regresso ao recinto da festa para almoço. Em ambiente de alegre algazarra, não faltaram buzinadelas e até algumas canções natalícias.
Ligado a este caráter irreverente e surpreendente da festa, está “o apelo àquilo que há de melhor entre as pessoas, a solidariedade e o espírito de comunidade”, realça Nuno Alfaiate. Isso começa com o grupo de voluntários que participa na organização da festa e que vem de vários pontos da freguesia e até de outros concelhos.
Para o presidente da Associação promotora, “é bom ver o pessoal com um sorriso nos lábios, a brincarem uns com os outros”, numa “partilha intergeracional, dos dois aos 80 e mais anos”, celebrando o melhor que existe no mundo rural.
Ainda a festa não tinha terminado e Nuno Alfaiate já fazia um balanço positivo do evento, não só pelo número de participantes no desfile Motorural mas também pela crescente adesão à festa da ruralidade.
No recinto, as alusões ao Natal estavam presentes desde a máquina que lançava neve, à árvore de Natal, ao Pai Natal com uma legenda humorística onde se lê que não sabe como há de regressar ao Pólo Norte, depois de ter acampado por estes dias de agosto com as suas renas e trenó na aldeia da Pereira.

“Uma festa fora de série”
De barrete de Pai Natal enfiado na cabeça, Francisco Parracho, refere ao repórter do mediotejo.net ser esta a terceira vez que participa no Motorural. Vem de propósito do concelho de Abrantes na sua “motoreta” para participar naquela que considera ser uma “festa fora de série”.
“É totalmente diferente das outras, é o terceiro ano que venho aqui e enquanto houver isto nunca vou para outro lado”. Francisco acrescenta que “o ambiente é muito bom, do melhor, é um ambiente familiar”.
Ao lado, Manuel Costa reforça a ideia: “é impressionante como é que isto (a aldeia da Pereira) é tao pequenino e consegue trazer malta de todo o lado. Temos aqui um ambiente espetacular”. Termina desejando “a quem organiza isto que tenha muita saúde, acho que estão a trabalhar bem”.
No mesmo grupo sénior, Paulo Adriano refere que vai a outras festas e “é meia dúzia de gatos pingados, enquanto aqui é sempre casa cheia. Vem aqui muita gente de outros concelhos”.
A informação é confirmada por Nuno Alfaiate. No Motorural participa habitualmente gente de concelhos como Tomar, VN Barquinha, Abrantes e Chamusca, com uma adesão em crescendo.
Sandra Marques vem com a sua família de Santa Margarida, aldeia vizinha, num ritual que repete todos os anos. Participam com um carro descapotável. “É uma festa diferente, isto é tudo muito familiar, é um ambiente muito acolhedor”.
No meio da multidão, descobrimos a vereadora Sónia Varino integrada num grupo que apostou forte na temática natalícia. Uma carrinha com uma lareira e a respetiva chaminé puxa um reboque com uma árvore de Natal e decorada com motivos natalícios.
A autarca revela que já participou no Motorural quatro vezes. “É engraçado porque é um espírito de convívio e boa disposição, reúne aqui muita gente de vários sítios até de concelhos vizinhos. E os que aqui vêm, vêm por gosto, porque aqui não há prémios, vêm para mostrar a diferença e que gostam deste tipo de atividade”.
