Carlos Alves é técnico de informática (Foto: DR)

Carlos Alves, técnico de informática na Câmara de Constância, interveio como cidadão na sessão da Assembleia Municipal do dia 20 de julho, quinta-feira, para denunciar que é vítima de perseguição política na autarquia desde 2009.

Em defesa da sua “dignidade” e do “livre desenvolvimento da personalidade”, apresentou o seu caso e o seu percurso como profissional na Câmara, onde começou a trabalhar em dezembro de 1987.

Tudo começou poucos dias depois de tomar posse o então Presidente da Câmara, Máximo Ferreira, em 2009.  Carlos Alves diz que, “sem quaisquer explicações”, o presidente avisou-o que tinha 24 horas para sair do edifício dos Paços do Concelho para a Biblioteca não lhe sendo dada qualquer possibilidade de diálogo.

“Aquilo que fizeram foi isolar-me dos meus colegas, humilhando-me com esta colocação na biblioteca”, refere no texto que leu na Assembleia Municipal.

Queixa-se de que, além de não lhe pagarem o vencimento de exercício perdido, ainda levantaram um processo disciplinar.

“A saga do desrespeito, da humilhação, do ostracismo, da indiferença, da perseguição” continua neste mandato, acusa Carlos Alves.

Em 2014 foi colocado no antigo edifício da delegação escolar, junto à igreja matriz, e já em meados de 2015 foi deslocado para o depósito da biblioteca municipal. “Um espaço exíguo, frio no inverno, quente no verão, sem refrigeração, sem higiene, sujeito a todo o tipo de pós, com iluminação deficiente (…), com alguns problemas de segurança, no qual estou continuamente sujeito a correntes de ar, poeiras e diversos odores insuportáveis”, denuncia.

Carlos Alves considera esta situação “desumana”, com reflexos na sua saúde física e psicológica.

Acresce a tudo isto que, desde 2009, não lhe é permitido frequentar qualquer ação de formação na sua área profissional, informática.

O técnico queixa-se de destruição da sua autoestima, de “injustiça” e de “um sentimento de frustração e marginalização” que o faz pensar no fim da sua vida profissional.

Com esta intervenção, afirma querer “romper o silêncio, denunciando os assediadores” e alertar os sindicatos, a comunicação social e a Assembleia Municipal para a sua situação.

Numa última nota mais de caráter político, Carlos Alves apela ao PCP para “agir em conformidade, com a postura democrática e não de acordo com a defesa cega dos seus e das suas cores”.

Na sessão da Assembleia Municipal, o Presidente da Mesa, António Mendes, lamentou a situação que o técnico está a viver.

A Presidente da Câmara, Júlia Amorim, não se alargou em comentários. Apenas disse que tem acompanhado o caso e que se trata de um “assunto demasiadamente penoso para ser abordado desta maneira”.

Segundo apurámos, no anterior mandato chegou a haver um processo em tribunal em que foi dada razão ao Município uma vez que este tem direito a colocar o funcionário onde considera haver falta de pessoal técnico qualificado para determinadas funções, neste caso, na Biblioteca.

Carlos Alves é atualmente o responsável pela área da informática na Biblioteca e em todo o parque escolar do concelho. No entanto, insiste em ser colocado no edifício dos Paços do Concelho.

“Na relação laboral entre a Câmara Municipal e o funcionário existem razões objetivas e fundamentadas que sustentam a sua permanência no seu local de trabalho”, refere a Presidente da Câmara numa declaração posterior. Além disso, as funções atribuídas ao funcionário “são compatíveis com a sua categoria profissional, sem quaisquer dos pressupostos de que a Câmara Municipal é acusada”.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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1 Comment

  1. O Partido Comunista (PC) no seu melhor.
    Eu nos anos 80/90 do século passado vivi uma situação idêntica, também numa autarquia gerida pelo (PC), só porque a minha ideologia não é o comunismo.

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