Além de barqueiro e pescador, Sérgio Silva é calafate em Constância (Foto: mediotejo.net)

Calafate, barqueiro e pescador, Sérgio Silva é uma figura conhecida em Constância pela sua ligação ao rio Tejo.

É na margem direita, debaixo de um telheiro, que desenvolve a sua atividade de calafate, ofício tradicional de construção de barcos, em risco de desaparecer. Na região, só ele e o seu irmão é que se dedicam a esta arte manual, para a qual é preciso muita mão de obra (cerca de um mês para um barco pequeno) e materiais cada vez mais raros e caros.

Quando fomos ao seu encontro, estava junto à sua mais recente criação: uma lancha tradicional de Constância com 3,5 metros que dá para usar com remos ou com motor. A particularidade é que o cliente chama-se Arlindo Consolado Marques, o “Guardião” do rio Tejo.

Guarda prisional de profissão, Arlindo Consolado Marques passou de cidadão anónimo a figura central na defesa do rio Tejo denunciando nas redes sociais os vários atentados ambientais de que o rio é alvo. Uma luta que lhe criou o epíteto “Guardião” do rio Tejo mas que já lhe valeu vários processos judiciais com grande impacto mediático.

Até agora tem percorrido as margens de carro e a pé. Mas dentro de pouco tempo vai dispor da sua embarcação para os seus passeios no rio Tejo.

Com 47 anos de vida e 27 como calafate e barqueiro, Sérgio Silva já construiu mais de 60 barcos tradicionais. Uma atividade que faz com engenho, arte e gosto. Só lamenta que não haja pessoas interessadas em aprender o ofício, o que faz temer pelo fim desta tradição.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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