Há terceira poderá ser de vez e terminar com a intermitência na prestação de cuidados médicos em Santa Margarida da Coutada. Pelo menos é essa a esperança do presidente da Câmara de Constância que deu conta aos jornalistas da Extensão de Saúde ter voltado a ter médico na sexta-feira passada. Na primeira semana de outubro, a extensão de saúde anuncia consultas médicas na terça e quarta-feira, dias 3 e 4, entre as 09h00 e as 19h00.
“Apesar de ser um entra e um sai podemos dar-nos por minimamente satisfeitos por ter a Extensão de Saúde a funcionar ao contrário de muitas freguesias neste País que estão com as Extensões de Saúde fechadas há anos”, começou por dizer Sérgio Oliveira aos jornalistas, na quarta-feira, 27 de setembro, à margem da reunião de executivo municipal.
Depois de estar sem qualquer médico desde o dia 1 de abril, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo conseguiu a contratação, a tempo parcial, de uma médica em regime de prestação de serviços, no dia 4 de maio, para a Extensão de Saúde de Santa Margarida da Coutada. Dois meses depois, saiu. A 4 de julho, o médico mudou outra vez em Santa Margarida e o atendimento reduzido a seis horas por semana. Mas recentemente também esta médica saiu de Santa Margarida, com a extensão de saúde a ficar novamente desprovida de clínicos.
“A médica que lá estava, e prestava serviço seis horas por semana, entendeu sair. Entretanto, nós em conjunto do ACES do Médio Tejo conseguimos encontrar uma solução. Neste momento o clínico que está afeto a Santa Margarida, pelo menos até à presente semana, fez dois dias completos, das 9h00 às 18h00”, numa colocação do ACES do Médio Tejo, explicou o autarca.
Constância conta com dois médicos no Centro de Saúde da sede de concelho, que têm conseguido assegurar nos últimos tempos a prestação de cuidados às populações das freguesias de Constância e de Montalvo. O problema tem-se sentido de forma particular na freguesia de Santa Margarida, a localidade mais afastada da sede de concelho, dividida pelo rio Tejo, numa população envelhecida e com pouca mobilidade, contabilizando cerca de 1600 utentes.
Além disso, em Santa Margarida da Coutada, no regime de prestação de serviço de seis horas semanais, as pessoas iam de madrugada para a porta da Extensão de Saúde na tentativa de conseguir uma consulta, muita vezes sem sucesso, tempo de serviço que o presidente da Câmara considerava “insuficiente” para as necessidades da freguesia.
Agora a esperança de alteração do cenário, renasce. “Queremos acreditar que este clínico veio para ficar e para dar estabilidade à Extensão de Saúde”, indicou Sérgio Oliveira, tendo adiantado que, em outubro, apesar de não ser um dado fechado, “há perspetiva em vez de dois vir três dias por semana. E com isso achamos que o processo em Santa Margarida começa a ganhar alguma estabilidade”, afirmou.
A acontecer, o horário será das 09h00 às 18h00, três dias por semana, “era mais ou menos o horário que a médica que se aposentou fazia em Santa Margarida e dois dias em Constância”, esclareceu o presidente.
Contudo, não há bela sem senão, ou seja, esta colocação teve um custo extra, com o município a ter de desembolsar 15 euros à hora no pagamento da prestação de serviços ao médico que assegura cuidados de saúde em Santa Margarida, além do valor pago pelo ACES do Médio Tejo.
Sérgio Oliveira admitiu haver “comparticipação do município. É ressarcido um valor hora pelo ACES e o município em cima desse valor hora paga-lhe 15 euros à hora”.
Recorda-se que Sérgio Oliveira afirmou, num passado recente, discordar dos “incentivos camarários” para a fixação de médicos nos territórios, uma vez que saem beneficiados os municípios com maiores orçamentos em prejuízo de municípios mais pequenos como Constância, “prejudicando as populações”.
O presidente reforçava a sua ideia lembrando que a Constituição da República Portuguesa de 1976 prevê o direito à saúde e promove a igualdade.
Na quinta-feira, 28 de setembro, decorreu uma vigília por cuidados médicos em frente à extensão de saúde de Santa Margarida da Coutada, às 18h00, tendo sido reivindicado um médico cinco dias por semana, ou seja, a tempo inteiro para aquela freguesia.
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