“Sorrisos entre Letras” regressa em Constância para transformar croché em solidariedade. Foto: CMC

O projeto solidário “Sorrisos entre Letras”, promovido pelo Município de Constância, através da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, regressa em setembro após a pausa de verão, com sete encontros de voluntárias dedicados ao croché, convívio e solidariedade.

Os encontros realizam-se sempre às 14h00, nos dias 1, 15 e 29 de setembro, em Constância, nos dias 2 e 16, em Santa Margarida da Coutada, e nos dias 10 e 24, em Montalvo.

Assente no voluntariado e na partilha de conhecimentos, o projeto junta participantes para a confeção de peças em croché e lã, posteriormente destinadas a crianças e bebés acompanhados em unidades hospitalares.

A iniciativa nasceu em janeiro de 2019, em Santa Margarida da Coutada, tendo-se posteriormente estendido às freguesias de Montalvo e Constância. O projeto surgiu com uma dupla preocupação: criar uma atividade que aproximasse da Biblioteca Municipal pessoas que habitualmente não a frequentavam e, simultaneamente, responder a situações de isolamento social e solidão.

Ao longo dos anos, o “Sorrisos entre Letras” tornou-se também num espaço regular de convívio, amizade e criatividade, reunindo sobretudo mulheres que, através do trabalho manual, transformam linhas e lãs em peças destinadas a quem está hospitalizado.

Em 2024 Constância ofereceu mais de 600 peças ao Instituto Português de Oncologia e ao Hospital de Abrantes com o projeto «Sorrisos entre Letras». Foto: CMC

Em 2024, o projeto entregou 675 peças a unidades de saúde. Destas, 230 foram destinadas ao serviço de Pediatria do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, incluindo sobretudo bonecos em amigurumi, enquanto 445 foram entregues aos serviços de Neonatologia e Maternidade do Hospital de Abrantes, entre mantas, gorros, fatos, doudous, botinhas e pequenos bonecos.

O balanço acumulado evidencia o crescimento da iniciativa. Em outubro de 2022, quando assinalou três anos de atividade, o projeto já tinha ultrapassado as 1.200 peças produzidas e entregues ao IPO de Lisboa e à Maternidade e Pediatria do então Centro Hospitalar do Médio Tejo.

Mais recentemente, dados do Diagnóstico Social de Constância de 2025 apontavam para cerca de 50 voluntárias envolvidas no projeto, distribuídas pelas três freguesias: 20 em Montalvo, 18 em Santa Margarida da Coutada e nove em Constância.

Projeto social ‘Sorrisos entre Letras’ regressa em setembro a Constância. Foto arquivo: Ricardo Escada

A dimensão da rede solidária tem igualmente ultrapassado o território concelhio, com voluntárias de outras zonas do país a juntarem-se à iniciativa e pessoas a contribuírem através da oferta de materiais ou de peças já confecionadas.

O projeto tem ainda sido reconhecido pelo seu impacto social, tendo recebido a Bandeira de Mérito Social, distinção atribuída no âmbito de uma iniciativa nacional dedicada à gerontologia social.

Projeto social ‘Sorrisos entre Letras’ em Constância foi premiado a nível nacional. Foto: ANGES

A iniciativa é promovida pelo Município de Constância, através da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, com o apoio das Juntas de Freguesia de Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada, entidades que contribuem também para assegurar os materiais necessários à confeção das peças.

As pessoas interessadas em participar ou colaborar podem obter informações através da Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill, pelo telefone 249 739 367 ou pelo endereço biblioteca@cm-constancia.pt.

O projeto “Sorrisos entre Letras” regressa assim em setembro, mantendo uma fórmula que alia a produção artesanal à solidariedade e ao combate à solidão, com o objetivo de continuar a levar peças e, sobretudo, “sorrisos” a crianças e famílias em contexto hospitalar.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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