Pomonas Camonianas em Constância. Foto arquivo: Ricardo Escada

O Parque de Merendas de Constância vai transformar-se, no próximo dia 30 de maio, a partir das 21h30, no cenário de uma viagem imersiva ao século XVI. A iniciativa, intitulada “Punhete – Carta Régia de 1571”, promete reavivar as origens do concelho através de uma recriação histórica que inclui comedorias, uma ceia medieval e danças de época, estas últimas a cargo do grupo Constância Nobilis.

A organização do evento assume um caráter comunitário e institucional, contando com a produção da companhia Santa Margarida Teatro e o apoio do município de Constância, das Freguesia de Santa Margarida da Coutada e de Constância, além da parceria com o grupo de teatro Ermidas & Brumas.

A data escolhida e o nome do evento remetem diretamente para o ano de 1571, um marco na história local. Foi nesse ano que o jovem monarca D. Sebastião (cuja figura em armadura domina o cartaz promocional do evento) se refugiou na região para escapar à peste negra que assolava a capital, Lisboa.

Durante a sua permanência nesta estratégica confluência dos rios Tejo e Zêzere, o rei assinou a Carta Régia que elevou a então localidade de Punhete à condição de Vila, garantindo-lhe a autonomia administrativa face a Abrantes e fundando oficialmente o concelho.

O topónimo original, “Punhete”, que caiu em desuso em 1836 quando a rainha D. Maria II mudou o nome da vila para “Constância” (em homenagem à fidelidade dos locais à causa liberal), é agora recuperado como marca histórica e cultural para esta recriação.

Monumento a Camões, em Constância. Créditos: Ricardo Escada/mediotejo.net

Celebrar a Punhete de 1571 é também evocar o ambiente que alimentou a alma daquela que hoje é conhecida como a “Vila Poema”. É nesta mesma janela temporal do século XVI que se ancora a plurissecular tradição oral da estadia de Luís de Camões na localidade.

De acordo com a história e os indícios biográficos defendidos pela comunidade literária local, o maior poeta da língua portuguesa terá vivido ali um período de desterro ou refúgio (entre 1548 e 1550), supostamente motivado pelo seu amor proibido com D. Catarina de Ataíde.

Terá sido nas margens inspiradoras de Punhete que o épico escreveu parte significativa da sua produção poética e lírica, uma ligação eternizada hoje na vila através da Casa-Memória de Camões e do Jardim-Horto Camoniano.

Casa Memória de Camões. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

A organização apela à participação do público e dos entusiastas da história e da época medieval, salvaguardando que a iniciativa constitui uma oportunidade única de valorização do património cultural do Médio Tejo.

Para os interessados em garantir lugar na Ceia Medieval e usufruir da experiência completa das comedorias, as informações e reservas já se encontram disponíveis através do contacto telefónico 969 064 029 ou por via eletrónica, através do e-mail santamargaridateatro@gmail.com.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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