A antiga Escola Primária de Constância recebe dois ateliês dedicados às Bonequinhas de Constância. Créditos: CMC

Depois de uma primeira sessão, o edifício da antiga escola primária de Constância recebe no sábado, às 15h00, um novo ateliê dedicados às Bonequinhas de Constância, também conhecidas por Bonecas de Perna de Cana. A participação é gratuita pelo que aos interessados em apreciar e/ou aprender a fazer esta peça típica de artesanato de Constância basta aparecerem.

Recorde-se que as Bonequinhas de Constância, também conhecidas por Bonecas de Perna de Cana, outrora eram feitas por mulheres e meninas, sempre que tinham algum tempo livre, para venderem às feirantes, quando estas apareciam na vila de Constância. Com isto, conseguiam algum dinheiro, numa altura em que os marítimos estavam ausentes por longos períodos e a elas cabia o sustento da casa.

Quando as tendeiras vinham a Constância, traziam um lençol, que estendiam no chão, e ali eram depositadas as bonecas que cada mulher tinha feito. Outras vezes, eram as próprias mulheres e meninas que levavam as bonecas diretamente às feiras, para as vender às feirantes, que as estendiam num cordel.

As bonecas rurais, que retratam os afazeres das mulheres de outrora. Imagem: Ana Rita Cristóvão | mediotejo.net

Estas bonecas representavam as várias classes sociais: as damas usavam chapéu com penacho e as camponesas usavam um lenço na cabeça e carregavam, ainda, um cesto de vime, um cântaro com água, um molho de lenha ou a trouxa da roupa para lavar no rio.

As bonecas eram feitas pelas mulheres de famílias mais pobres, para as filhas brincarem, apesar de serem menos vistosas, eram recebidas com grande carinho pelas meninas. Contudo, ao longo dos tempos, estas bonecas tornaram-se mais bonitas e coloridas, sendo uma mercadoria muito procurada para entretenimento das crianças e, atualmente, são um elegante objeto decorativo.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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