O assunto foi discutido na última sessão da Assembleia Municipal (Foto: mediotejo.net)

Uma resolução aprovada na Assembleia da República e uma moção apresentada pela bancada da CDU na Assembleia Municipal de Constância sobre a nova ponte sobre o rio Tejo geraram discussão na sessão do dia 27.

Sendo consensual entre os autarcas da região a necessidade de uma nova travessia, o mesmo já não acontece quanto à sua localização.

Mas o Presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira (PS) é peremtório em dizer que se recusa a alimentar “uma guerra entre concelhos” por causa da nova ponte sobre o Tejo.

O assunto foi levantado na sessão da Assembleia Municipal do dia 27 através de uma moção da CDU em que esta defendia uma tomada de posição do Município sobre uma nova travessia no Concelho.

Isto na sequência da resolução aprovada por unanimidade na Assembleia da República em que os deputados recomendam ao Governo algumas medidas sobre a travessia entre a Chamusca e a Golegã nomeadamente “medidas de regularização do tráfego rodoviário na Ponte João Joaquim Isidro dos Reis”, “soluções de financiamento para a conclusão da construção dos troços em falta do designado IC 3” e “prioridade nos investimentos da empresa pública Infraestruturas de Portugal à construção de uma nova travessia do rio Tejo, entre a Chamusca e a Golegã”.

No texto, os deputados de todas as bancadas recomendam ainda ao Governo que “estude soluções sustentáveis, de longo prazo, para os constrangimentos existentes”.

Na moção da CDU de Constância, apelava-se para que a Câmara envide todos os esforços junto das entidades competentes para que a construção de uma nova ponte em Constância “volte a fazer parte das preocupações dos decisores nacionais”, lembrando “os compromissos assumidos por sucessivos governos” sobre a matéria.

O Presidente da Câmara de Constância apelou a que não houvesse precipitação, sendo de opinião que o assunto “deve ser concertado entre os três Municípios que reivindicam a ponte: Abrantes, Constância e Chamusca, sendo que Vila Nova da Barquinha também é parte interessada. Defende “a via do diálogo, sem nos andarmos a guerrear na comunicação social ou em público”.

Assim que leu a notícia no mediotejo.net, Sérgio Oliveira diz que ligou a dois deputados eleitos pelo PS questionando sobre a resolução aprovada na Assembleia da República, dizendo que “não via com bons olhos” a resolução.

O autarca defende que os Presidentes de Câmara em questão se deviam sentar à mesma mesa e tentar chegar a um acordo. Na sexta feira, dia 27, Sérgio Oliveira falou com o Presidente da Câmara da Chamusca, tendo este dito “que era solidário com a questão da ponte em Constância e que, se o Governo Central decidisse que a ponte deve ser feita em Constância, ele não se oporá a essa decisão”.

“O que é certo é que Chamusca pede a ponte, Constância pede a ponte, Abrantes pede a ponte e a ponte não é feita”, desabafou o Presidente da Câmara de Constância na sessão da Assembleia Municipal.

Lembrou que a decisão sobre a localização da nova ponte compete ao Governo e que o Ministro das Infraestruturas já disse que uma nova ponte só seria construída num horizonte temporal depois de 2021.

Manifestando-se contra o “guerrear entre concelhos” nos jornais, Sérgio Oliveira pediu um voto de confiança dos deputados municipais para que o deixassem iniciar este processo de diálogo com os seus colegas Presidentes de Câmara com o compromisso de na próxima Assembleia (em junho) dar conta das diligências efetuadas.

Como argumentos para que a nova ponte se localize em Constância, o Presidente refere: “o concelho tem a ponte pior e está dividido pelo rio, com a freguesia de Santa Margarida da Coutada a definhar porque as pessoas não se querem lá fixar em parte pela razão da ponte”.

O autarca disse ainda que entre Abrantes e Chamusca “somos o concelho que está no centro”, e lembrou que o Eco-Parque do Relvão está mais próximo do concelho de Constância do que da Chamusca.

A moção da CDU acabou por ser retirada.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.