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Numa altura em que a falta de água é tema de debate por todo o território nacional, o autarca constanciense defende que é hora de ter um novo olhar sobre os recursos hídricos e lança a ideia de se reaproveitar os recursos naturais desaproveitados, como fontes e poços, para rentabilizar as potencialidades existentes em cada concelho.

“Nós temos uma situação se calhar um bocadinho diferente daquilo que é a realidade de outros concelhos. As grandes áreas verdes são regadas através de furos, são áreas que se situam em zonas húmidas e que nesta altura do ano ainda não necessitam de regas muito intensas, portanto, não sentimos com tanta necessidade esse racionamento da água”, responde o presidente da Câmara Municipal de Constância quando questionado pelo mediotejo.net sobre se a autarquia já teve necessidade de implementar medidas perante o cenário de escassez de água a que se assiste na região e no país.

No entanto, o autarca admite que este é um problema que também preocupa a autarquia, nomeadamente pela existência de “um conjunto de agricultores aqui que também passam por algumas dificuldades”.

Nesse sentido, o edil expressa a necessidade de se olhar, a nível nacional, para os recursos hídricos de outra forma “não só no racionamento em alturas mais difíceis como esta que estamos a passar, como sensibilizar as pessoas para o bom uso da água” e lança uma ideia: desenvolver mecanismos que permitam reaproveitar e rentabilizar recursos naturais existentes e que são atualmente desaproveitados.

“O país já pensou na quantidade de nascentes – falo de fontes e de poços – que, de Norte a Sul do país, ninguém tira de lá uma gota de água? Será que não está na altura de lançar um programa para reaproveitar esses recursos naturais que estão desaproveitados e que ninguém usa?”, expôs.

Sublinhando que neste caso se fala numa escala pequena e que “as necessidades de água [do país] são muito maiores do que aquilo que estou a falar”, o autarca diz que esta rentabilização dos recursos existentes seriam já um passo importante para a pequena agricultura e os pequenos proprietários.

“Se calhar está na altura de o país, em vez de pensar em investimentos em grande escala, criar um programa de apoio para recuperar todas estas potencialidades e estes recursos que todos os concelhos têm, e que em Constância temos muitos”, diz, identificando por alto, pelo menos, três dezenas de situações de poços desaproveitados no território constanciense.

“Há tanto programa de apoio a jovens agricultores, porque não apoiar também na recuperação destes espaços e daí rentabilizar a água”, concluiu o autarca, que lembra ainda que eram estes recursos que “faziam funcionar o país há 30 ou 40 anos”, e que “as pessoas usavam para cozinhar, para tomar banho, para tudo”.

ÁUDIO | Sérgio Oliveira sobre necessidade de um novo olhar sobre os recursos hídricos

A Comissão Europeia indicou hoje que está em contacto com as autoridades nacionais e regionais portuguesas para analisar possíveis apoios, no quadro da Política Agrícola Comum (PAC), para fazer face à seca, que admite ser uma “catástrofe”.

“No âmbito da Política Agrícola Comum, tenho o prazer de informar que os serviços da Comissão estão em contacto com as autoridades nacionais e regionais portuguesas, a analisar o apoio que a PAC pode prestar para enfrentar esta catástrofe nacional”, declarou a comissária Helena Dali, que representou o executivo comunitário num debate sobre a seca na Península Ibérica realizado hoje de manhã no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Manifestando preocupação com “a grave situação de seca sofrida na Península Ibérica e, em particular, com a situação que atualmente enfrentam algumas zonas do norte e centro de Portugal”, a comissária sublinhou por diversas vezes que é necessário desenvolver políticas a médio e longo prazo, pois “as alterações climáticas irão aumentar ainda mais a escassez de água e os riscos de seca”.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em janeiro “verificou-se um agravamento muito significativo da situação de seca meteorológica, com um aumento da área e da intensidade, estando no final do mês todo o território em seca, com 1% em seca fraca, 54% em seca moderada, 34% em seca severa e 11% em seca extrema”.

Ainda de acordo com o IPMA, em relação à precipitação, janeiro de 2022 foi o 6.º mais seco desde 1931 e o 2.º mais seco desde 2000.

C/LUSA

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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