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Astrónomo, atual diretor do Centro de Ciência Viva de Constância e antigo presidente da Câmara Municipal, Máximo Ferreira foi eleito a 27 de fevereiro presidente da direção da Associação Casa-Memória de Camões para o triénio 2022-2024. Ao mediotejo.net refere que um dos objetivos principais é o de avançar com um conjunto de protocolos com diferentes entidades, bem como abrir ainda em 2022 a Casa-Memória ao público, ainda que não de forma contínua.

Depois de dois mandatos à frente da Associação Casa-Memória de Camões, António Matias Coelho deixou a direção da associação, continuando a fazer parte dos órgãos sociais, desta vez enquanto presidente da mesa da Assembleia Geral. Máximo Ferreira assumiu o cargo de presidente da Direção para os próximos três anos, numa eleição que ocorreu em sessão a 27 de fevereiro.

Questionado pelo mediotejo.net sobre que motivos o levaram a chegar-se à frente para liderar a única lista a votos, o agora presidente da Associação Casa-Memória de Camões (que já no passado tinha feito parte dos órgãos sociais da associação) confessa que foi o risco que a mesma corria em fechar portas que o fez avançar.

“A direção que terminou há não muito tempo esteve durante seis anos e fez um bom trabalho só que cansaram-se e apresentaram a intenção de não continuarem”, elucida.

“Houve uma primeira Assembleia Geral para eleição de novos corpos a que não se apresentou nenhuma lista e havia o risco de a associação encerrar. O que fizemos foi procurar pessoas, umas ainda dos corpos sociais anteriores, arranjar pessoas que se dispusessem a continuar a atividade da associação, com projetos que achamos que podemos concretizar”, avança Máximo Ferreira, admitindo desde já que “não concretizaremos tudo o que gostávamos de fazer”.

O astrónomo, diretor do Centro de Ciência Viva de Constância e antigo autarca é o novo presidente da Associação Casa-Memória de Camões. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | Máximo Ferreira fala sobre assumir da direção da Associação Casa-Memória Camões

Acompanhado na direção da associação por Sandra Alves Xisto (vice-presidente) e Manuela Arsénio (tesoureira), os novos órgãos sociais contam ainda com António Matias Coelho na presidência da Mesa da Assembleia Geral – da qual fazem também parte Nuno Ferreira (1.º secretário) e Celestina Gomes (2.ª secretária) – e com António Mendes na presidência do Conselho Fiscal – do qual fazem também parte Anabela Cardoso (1.ª vogal) e Maria Teresa Flor (2.ª vogal).

No caso do presidente do Conselho Fiscal e da primeira vogal, os mesmos foram designados pela Câmara Municipal de Constância, conforme consta dos estatutos da associação, atualizados em 2020 pelas “exigências legais, por forma a permitir a continuidade do apoio anual [financeiro] dado pela autarquia à instituição”.

Mas voltemos aos projetos e às atividades que a nova direção quer levar por diante. “Protocolos” é uma das palavras de referência para este novo mandato.

“Em primeiro lugar, a nossa intenção é estabelecer protocolos com outras entidades, começando pelo Centro de Ciência Viva de Constância (CCVC) que tem potencialidades de atrair públicos e que esses públicos sejam também distribuídos pelo Jardim-Horto de Camões e para umas atividades que pensamos desenvolver na própria Casa-Memória, portanto, em primeiro lugar, esta partilha entre as duas entidades”, começou por afirmar ao nosso jornal o novo presidente da direção da associação.

Casa Memória de Camões, em Constância. Foto: mediotejo.net

“Estabelecemos já contactos com a Direção-Geral de Educação no sentido de também estabelecermos um protocolo de cooperação, dado que com a atividade do CCVC, mais a parte científica, e com a Casa-Memória de Camões, no que respeita à literatura e à literacia, achamos que há aqui um trabalho importante que convém coordenar com os programas curriculares, com atividades escolar – e daí termos colocado essa proposta e está a caminho a elaboração e a assinatura de um protocolo de colaboração”, acrescenta, referindo ainda um terceiro protocolo a surgir com o Agrupamento de Escolas de Constância com o objetivo de “utilizar a memória de Camões em Constância e alguns testemunhos e associar isso a matérias curriculares e explorá-las. Temos que criar programas que estabeleçam algumas relações com o que se aprende na escola”.

Sublinhando que atividades até então recorrentes como as tertúlias de poesia “vão continuar”, do plano de atividades consta também a tradicional participação da Casa-Memória na Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, tal como no 10 de junho, nas Pomonas Camonianas.

Mas e a abertura da Casa-Memória ao público? Máximo Ferreira confessa que a intenção é de concretizar tal feito “mais brevemente do que era pensado há uns tempos”, ainda que não seja da forma como anteriormente se pensava.

“A ideia que reinou durante muitos anos foi a de que a Casa-Memória só abriria ao público quando estivesse toda completa, com a parte do museu criada, era de facto um sonho interessante mas que os últimos 20 anos têm mostrado que não é concretizável, pensamos nós. A nossa ideia é a de que a Casa-Memória abrirá em breve, não de uma forma contínua – ficará a abertura sujeita a marcações, mas teremos a oportunidade de fazer essa divulgação para que as pessoas interessadas possam marcar previamente a sua visita”, expõe, em declarações ao mediotejo.net, falando inclusive na expectativa de apoio ao nível de recursos humanos por parte da Direção-Geral de Educação.

“O que vamos fazer é pequenas coisas, pequenas exposições, temos material suficiente para fazer uma exposição permanente, com objetos que referem Camões, e Camões em Constância. (…) Temos objetos da época em que ele supostamente esteve cá e com isso é possível criar uma pequena exposição, ainda que não seja aquela exposição com a museografia que durante estes 20 anos se tem pensado”, refere, afirmando que se vai “simplificar as coisas”.

“Vamos abrir assim, com alguma simplicidade mas vamos abrir com certeza (…) Uma abertura que será ainda em 2022”, esclarece, assegurando ainda que “de qualquer das maneiras, não desistimos do outro propósito, do outro objetivo mais global que é o de termos uma casa com equipamentos que tenham todos eles uma mesma linha”.

Fundada por Manuela de Azevedo em 1977, Associação Casa-Memória Camões tem por objetivo principal consolidar a ancestral relação de Constância com a memória de Camões.

Contando anualmente com apoio financeiro por parte da autarquia para a sua gestão (ajuda essa que para 2022 ronda os 21 mil euros), a Casa-Memória Camões foi já reconhecida como equipamento de interesse nacional.

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Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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