O lago chama-se Arquimedes, o barco, Eureka. À volta do lago temos picotas, noras e parafusos sem fim, instrumentos utilizados para tirar água e regar. Estamos em Constância, no Centro Ciência Viva de Constância (CCVC), que no dia 20 de maio inaugurou uma nova valência, o lago Arquimedes.

Máximo Ferreira, astrónomo e diretor do Centro explica que o nome do lago e do barco fazem alusão ao físico e matemático grego que descobriu o princípio da impulsão.

“Há Ciência nas Tradições”, assim se designou a atividade desenvolvida naquele dia e que teve na inauguração do lago o momento alto. Trata-se de um espaço onde foram colocadas peças que fizeram parte da vida agrícola da região, todas elas oferecidas ou cedidas por cidadãos e entidades.

Instrumentos como as noras, o parafuso de Arquimedes, a picota ou a roda à manivela são manipuláveis para que os visitantes possam descobrir o lado científico daquelas peças de tirar água. Pode-se, por exemplo, empurrar um burro feito em chapa e ver a água a subir nos alcatruzes.

Como refere Máximo Ferreira, “as pessoas que não querem ver os anéis de Saturno ou as crateras da Lua, ou que já conhecem aquela parte, podem trazer o seu lanche, ficar à sombra e brincar com os equipamentos do lago Arquimedes”.

Junto ao lago foi instalado um contentor oferecido pela Caima, a que se designou por “contentor de memórias”. Funciona como um pequeno museu onde, a par de algumas imagens de utensílios antigos, um sistema audiovisual vai mostrando passagens de vídeos realizados com a colaboração de habitantes do concelho, com relatos de épocas, factos e lugares de relevante interesse patrimonial.

Pretende-se que o lago Arquimedes, à volta do qual foram plantadas árvores da região para darem fruto e fazerem sombra, funcione também como espaço de lazer. Os visitantes podem trazer o seu farnel, fazer ali o seu pic-nic e passar um dia diferente.

Constância quer apostar em novas marcas

O Presidente da Câmara de Constância destaca a importância do novo espaço no CCV como complemento, “para quem não sentir interesse pela parte da astronomia, tem aqui uma oportunidade de passar um dia diferente”.

Sérgio Oliveira acredita que o novo equipamento vai atrair ainda mais visitantes num concelho com um forte peso no turismo científico. O CCV registou cerca de 25 mil visitantes em 2017, número que tem vindo a aumentar nos últimos anos.

O autarca destaca ainda a carga simbólica que têm aqueles instrumentos da agricultura tradicional com que se identificam mais as populações das freguesias de Montalvo e de Santa Margarida, onde existiam várias casas agrícolas.

Falando para os participantes na atividade, o Presidente da Câmara alertou para a necessidade de se apostar em novas marcas para além das que já existem como Camões, Vila-Poema ou Rios.

Apelou a todos para ajudarem a “vender a marca da nossa terra”, criar sinergias e projetar Constância a nível nacional e internacional. Sérgio Oliveira realçou o “excelente trabalho que Máximo Ferreira está a fazer à frente do CCV”.

O diretor do CCV aproveitou para dar a conhecer algumas das próximas atividades como a observação do próximo eclipse da lua no dia 27 de junho. Para agosto (de 17 a 19) anuncia-se a ASTROFESTA 2018, em 25ª edição, com palestras, observações astronómicas e workshops no Parque de Astronomia.

A tarde terminou com a atuação do Rancho Folclórico “Os Camponeses de Malpique” e um “lanche no espeto”, baseado em produtos regionais.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

Deixe um comentário

Leave a Reply