Para evitar falência, a Tupperware – nos Estados Unidos – vai ser comprada por credores, noticiou a Bloomberg. A empresa em processo de recuperação judicial poderá ser adquirida por pouco mais de 85 milhões de dólares. Questionado sobre esta notícia, e que consequências poderá ter na empresa de Montalvo, o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, admitiu que a incerteza permanece.
A notícia acrescenta que a empresa e os donos de dívida, que incluem os fundos de investimento afiliados à Alden Global Capital e Stonehill Institutional Partners, chegaram a um princípio de acordo, no qual os credores comprarão o negócio em dinheiro e crédito, segundo Spencer Winters, advogado que representa a Tupperware.
Questionado sobre esta notícia, e que consequências essa compra pelos credores poderá ter na empresa de Montalvo, o presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira, admitiu que a incerteza sobre o futuro da fábrica e dos cerca de 200 trabalhadores permanece.
Durante a reunião de executivo, deu conta de ter “conversado” na semana passada com o diretor de operação para a Europa da Tupperware. O responsável pediu ao autarca para ser contactado no início de novembro porque “nessa altura já deveria ter mais algumas novidades para dar. E é isso que vamos fazer”, no sentido de perceber o ponto de situação do processo de recuperação da empresa, disse Sérgio Oliveira.
Em Montalvo (Constância) a fábrica da Tupperware, marca que passou a ser sinónimo de recipientes de plástico para guardar alimentos, continua a laborar, com 200 trabalhadores, embora com a produção nos mínimos mas sem ter ocorrido qualquer despedimento até ao momento. Em declarações ao nosso jornal, Sérgio Oliveira manifestou-se “otimista” quanto à continuidade da empresa no concelho.

A fábrica da Tupperware em Portugal, a funcionar desde 1980 em Montalvo, depende a 100% da casa-mãe americana e sente as consequências dos problemas da empresa nos EUA. Em setembro foi iniciada a dispensa de trabalhadores temporários – em Montalvo chegaram a ser 400 trabalhadores, no total, durante os picos de produção.
Depois das primeiras notícias sobre o colapso das vendas a nível mundial, há dois anos, a fábrica da Tupperware em Portugal começou a sofrer as consequências, tal como o mediotejo.net então noticiou. O mesmo sucede agora com a falência no horizonte e consequente processo de recuperação da empresa.
A ameaça de falência tem pairado sobre a Tupperware nos últimos anos e em 2022 a empresa iniciou um processo de refundação total, passando a fazer vendas online e em supermercados, com o objetivo de chegar às gerações mais novas (e ultrapassar as limitações impostas às vendas porta a porta aquando da pandemia de covid-19).
Além disso, vendendo plástico, numa época em que o material é preterido por questões ambientais, a marca procurou ainda recuperar a confiança dos consumidores, publicitando a “grande qualidade” seu plástico, com um “selo” ecológico. Porém, as vendas continuaram a cair a pique, perante um cenário de inflação na Europa e crise económica mundial.
Segundo a Bloomberg, a empresa enfrenta mais de 800 milhões de dólares em dívidas não pagas. Os credores têm mais de 460 milhões de dólares a receber.
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