Constância inaugura praia fluvial no Zêzere e já sonha com Bandeira Azul. Foto: Ricardo Escada/medioteoj.net

“Efetivamente é algo que o município ambicionava há alguns anos, talvez há 20 anos ou mais”, desde os tempos em que se previa a construção de um açude galgável no Zêzere e que “nunca foi possível concretizar”, disse o presidente da Câmara de Constância, dando conta que “a solução que viabilizasse o aproveitamento de uma frente de rio, com uma água de excelente qualidade”, na zona ribeirinha da vila, “passava pela obtenção da classificação da qualidade das águas”, processo que demorou três anos e que foi agora concluído.

Constância inaugura praia fluvial no Zêzere e já sonha com Bandeira Azul. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

“A partir de hoje não há volta atrás, a praia fluvial de Constância veio para ficar, e vamos continuar a investir e a qualificar este espaço gradualmente com equipamentos que ainda não estão colocados”, disse Sérgio Oliveira, assumindo o objetivo claro de uma candidatura ao programa Bandeira Azul, de modo a hastear o galardão de qualidade ambiental numa praia que quer de excelência.

VIDEO | SÉRGIO OLIVEIRA, PRESIDENTE CM CONSTÂNCIA:

“O primeiro passo que tínhamos de dar era a obtenção da classificação das águas do rio como águas balneares por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), andámos quase três anos a fazer análises ao rio, e em maio deste ano foi publicada oficialmente a portaria, em que foi atribuído à água do rio Zêzere em Constância o estatuto de água balnear”, disse Sérgio Oliveira.

Assim, notou, “a partir daqui, estava o caminho aberto para a criação e funcionamento da praia fluvial com as condições que nós achamos as ideais, nomeadamente a existência de nadadores-salvadores e a colocação de alguns equipamentos de apoio, nomeadamente chapéus em palhota, para que crie ali algum conforto às pessoas, assim como a colocação de areia numa parte do areal do rio”, disse ainda o autarca socialista, que deu conta de não ter sido aproveitada a frente ribeirinha em toda a sua extensão.

“Não colocámos areia naquele lugar todo porque as praias também têm limitações, e se nós criássemos ali o dobro da praia teríamos de ter quatro nadadores-salvadores”, notou, aludindo também a alguma dificuldade de contratação no mercado de trabalho. Desde domingo que a praia fluvial tem dois nadadores-salvadores a vigiar a praia” estendendo-se a época balnear até ao dia 25 de setembro.

VIDEO | SESSÃO DE INAUGURAÇÃO DA PRAIA FLUVIAL DE CONSTÂNCIA:

Para Sérgio Oliveira, que deu conta de um investimento na ordem dos 60 mil euros –“um terço do qual para a segurança na praia fluvial com os nadadores-salvadores” – a aposta representa a “afirmação do concelho com mais um equipamento do ponto de vista turístico”.

 A praia fluvial de Constância, localizada junto à margem esquerda do Rio Zêzere, “cumpre todos os requisitos respeitantes à qualidade das águas balneares e à assistência a banhistas”, tem dois nadadores-salvadores em permanência e uma área de areal de 3500 m2 que permite uma ocupação máxima de 350 pessoas.

Dia de inauguração com temperaturas altas e muitos banhistas a aproveitarem para se refrescarem. Foto: Ricardo Escada/mediotejo.net

O espaço de lazer possui vários equipamentos de apoio localizados nas suas imediações, designadamente estacionamento, zonas verdes, áreas de lazer, parque de merendas, estabelecimentos de restauração e bebidas, parque de campismo, e instalações sanitárias, num local central da vila e com facilidade de acessos a outras infraestruturas.

De futuro, o projeto manter-se-á, tendo a autarquia abdicado de um projeto inicial que apontava para a criação de piscinas artificiais no rio Zêzere, mas apontando desde já à conquista da Bandeira Azul.

“Hoje, para além da questão do açude que existia, nós desenvolvemos um estudo prévio para a construção de umas piscinas artificiais, um projeto que tivemos a oportunidade de mostrar à Agência Portuguesa do Ambiente, com muita reserva destas instituições, e isto para concluir que, hoje, olhando para o espaço que ali temos de rio há uma solução mais bonita e é aquela que temos lá agora, ou seja, com pouca intervenção urbana ou nenhuma”, disse, esclarecendo algumas situações e questões que têm sido colocadas.

“Efetivamente há algumas pessoas que se questionam, colocámos a areia, o rio vai subir e vai levar a areia e será necessário colocar areia novamente, obviamente que existirão melhorias a fazer no espaço, as pessoas têm de compreender que é o primeiro ano que o município tem a praia a funcionar e há aspetos que vão ter de ser analisados, ponderados e melhorados, mas aquele equipamento tem de ser interpretado e visto como outro qualquer equipamento municipal, ou seja, todos os equipamentos municipais que nós temos, e refiro-me concretamente ao Parque Ambiental de Santa Margarida, à piscina municipal, ao pavilhão municipal, todos eles absorvem uma verba considerável, todos os anos, a nível de conservação e manutenção do orçamento municipal”, disse, equiparando a necessidade de investimento continuado.

“A praia fluvial tem de ser encarada como um equipamento municipal em que todos os anos tem de sofrer uma ação de conservação e manutenção, ainda não fiz as contas, mas pelo senso comum e pelo conhecimento do dia-a-dia da Câmara, fica mais barato a ação de manutenção e de conservação na praia fluvial do que fica ter a piscina municipal ao longo do ano, que exige muitos mais recursos financeiros do que a reposição de uma parte da areia todos os anos”, afirmou.

“Foram estes passos que tivemos de dar, e, portanto, é transmitir às pessoas que está ali um espaço para todos usufruírem, os residentes do concelho e os de fora do concelho, com a afirmação do concelho com mais um equipamento do ponto de vista turístico, é um investimento muito importante para o concelho que foi uma barreira que foi rompida e que agora não há forma de voltar atrás”, vincou.

“A maior dificuldade era conseguirmos a classificação das águas como águas balneares, isso já foi feito, portanto a partir de agora o caminho está aberto e não há forma de voltar atrás, vai ser uma realidade a praia fluvial aqui, uma realidade que vai ser mantida este ano e com certeza será mantida nos próximos anos”, concluiu o autarca, assegurando querer guindar o novo equipamento ao estatuto de excelência.

Fotos: Ricardo Escada/mediotejo.net

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.