A tradição passa de geração em geração (Foto: mediotejo.net)

Com S. Pedro a dar tréguas, cumpriu-se a tradição em Constância nesta segunda feira de Páscoa com a chegada e bênção dos barcos, ponto alto da festa de Nª Srª da Boa Viagem / Festas do Concelho. Este ano participaram cerca meia centena de embarcações vindas de várias localidades da zona ribeirinha do rio Tejo, desde Abrantes a Lisboa.

Pelas contas de António Matias Coelho, investigador há muitos anos ligado à bênção dos barcos, participaram mais de 200 pessoas embarcadas, número contabilizado pela quantidade de apólices de seguro que a Câmara teve de contratar.

A chegada dos barcos engalanados, alguns com imagens da Senhora da Boa Viagem, é um momento ansiado, quer pelos ocupantes das embarcações, quer pelas largas centenas de pessoas que assistem com um misto de emoção e devoção.

Para quem chega de barco, a tradição manda que se traga farnel e “pinga” para se petiscar nas margens do rio. É um momento de convívio e de descontração antes dos discursos oficiais.

O Presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, manifestou-se orgulhoso pelas “representações de tantos municípios” e, reforçou a ideia de esta ser a “Festa do nosso povo e da nossa terra”. Entre os convidados estavam autarcas de concelhos vizinhos e o Vereador da câmara de Lisboa, Ricardo Sá Fernandes.

António Matias Coelho referiu-se à “grande festa do Tejo”, que “tem como fundamento uma tradição que se procura respeitar”. “É uma festa religiosa, cultural, do Tejo”, afirma, sublinhando o facto de muita gente vir a Constância todos os anos neste dia como quem vai a Fátima no dia 13 de maio. “É um ritual, é uma tradição”.

Perante as centenas de pessoas que assistiam à chegada dos barcos, o investigador fez um pequeno historial da festa recuando a 1788, anos em que os marítimos de Constância (Punhete) pediram à Rainha D. Maria I para colocarem a imagem da Senhora da Boa Viagem num altar atualmente localizado na igreja Matriz.

Com o fim do transporte fluvial nos anos 50 e 60, deixou de haver marítimos, mas a tradição manteve-se agregando desde há cerca de 30 anos representantes das comunidades ribeirinhas, de Abrantes a Lisboa.

Matias Coelho fez questão de enaltecer o “trabalho notável que a EDP fez” ao subir o caudal para os níveis adequados a partir da barragem do Fratel.

Outra ajuda preciosa veio do Regimento de Engenharia de Tancos que, com uma grua, recolheu as embarcações transportadas em camiões de locais mais distantes e colocou-as no rio Tejo em Tancos.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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