O galheteiro, um conjunto de chifres trabalhado e destinado ao transporte do azeite e vinagre fazendo parte dos farnéis dos pastores e dos trabalhadores agrícolas, é a peça do mês de novembro no Museu dos Rios e das Artes Marítimas, em Constância. O espaço pode ser visitado de segunda a sexta-feira, entre as 14h00 e as 17h30.
Os chifres (cornos, chavelhos ou hastes) eram trabalhados pelos pastores para fazerem de recipientes, utilizando os cornos dos bois de trabalho, que apresentavam maiores dimensões e que eram abatidos para consumo nas herdades ou conduzidos aos matadouros das localidades para abate.
Para ser trabalhado, o chifre era mergulhado em água a ferver, a fim de ser mais fácil de cortar com a navalha. Depois de chegar ao tamanho pretendido, o chifre era escavado ou gravado com a navalha, mas sempre em quente. Depois de arrefecer naturalmente, o chifre recuperava a dureza primitiva.
Este conjunto de chifres destinava-se ao transporte do azeite e vinagre, fazendo parte dos farnéis dos pastores e dos trabalhadores agrícolas, quando iam trabalhar para o campo ou para as pastagens.
Este conjunto tem um chifre maior que, provavelmente, levaria o azeite e o menor o vinagre. Ambos têm a abertura vedada por uma tampa de madeira fixada por tachas de latão, com uma espécie de rolha decorada, presa ao corno por uma tira de cabedal.
Com vista a facilitar o transporte, unia-os uma corrente de metal presa a uma argola que existia em cada chifre.
Criado a 11 de abril de 1998, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas tem um acervo constituído, principalmente, por peças de etnografia fluvial, com especial relevo para os instrumentos de trabalho e miniaturas de embarcações tradicionais.
Para acolher este espólio procedeu-se à reabilitação de um edifício antigo, pertença da autarquia, que reunia as caraterísticas para a criação de um espaço museológico para preservar o património fluvial.

