Foi no Largo Cabral Moncada que o Presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, fez o seu discurso, relembrando que a festa existe já faz mais de 200 anos e assenta na devoção que existe à Nossa Senhora da Boa Viagem pelas gentes da terra. Mas que nem sempre foi fácil manter a tradição.
“A primeira referência que existe à devoção da Nossa Senhora da Boa Viagem data o ano de 1788, numa época e num tempo em que a principal e atividade económica do concelho, em especial da vila, era o transporte marítimo, as autoestradas eram os nossos rios, rios esses onde não existiam barragens e onde conhecimento científico e tecnológico era reduzido para não dizer inexistente, o que tornava a atividade marítima perigosa e com enormes riscos”, contextualizou o autarca.
Conscientes do perigo da sua atividade e com a necessidade de ter os rios com água suficiente para navegarem, porque esta era a forma de terem o seu ganha-pão, todo os anos na segunda feira, a seguir ao domingo de Páscoa, iam a Constância marítimos de vários pontos da região para pedir a bênção e a proteção da Nossa Senhora da Boa Viagem para mais um ano de trabalho. Bênção dos barcos que ainda existe nos dias de hoje e é um dos pontos altos da festa.
As festas, na sua vertente religiosa, apesar de terem nascido pela tradição marítima de Constância, vila abraçada pelos rios Tejo e Zêzere, tem nas as outras duas freguesias do concelho, Montalvo e Santa Margarida da Coutada, a ligação à agricultura e ao mundo rural, passado esse que também é representado nas festas através da tarde de folclore no domingo, dinamizada pelo nosso Rancho Folclórico “Os Camponeses de Malpique”, e que retratam e recriam hábitos e tradições na vida do campo de antanho.
“O mais importante das nossas festas, o que nos distingue é o facto de as mesmas envolverem toda a comunidade do concelho, as associações e coletividades, juntas de freguesias, os moradores, os comerciantes e empresários, os bombeiros, a GNR, o Agrupamento de Escolas, a Santa Casa da Misericórdia, a paróquia… é uma festa de todos para todos”, vincou Sérgio Oliveira.
Com a decadência da atividade marítima, a festa foi-se mantendo, com altos e baixos na sua dinâmica, e, com receio que esta pudesse desaparecer, a Câmara Municipal, no início dos anos 90 do século XX, em conjunto com as forças vivas do concelho, revitalizaram a festa, introduzindo a parte pagã, que deu origem aos dias de hoje aos concertos, à tarde de folclore, ao grande prémio do atletismo, a mostra tradicional de artesanato e de doces e as ruas floridas.
Após o discurso, Sérgio Oliveira, visitou e saudou aqueles que vão dinamizar a zona de restauração, nomeadamente as coletividades do concelho, a par dos stands de artesanato e de doçaria. Pelo meio ainda provou a poncha madeirense e alguns enchidos e queijos regionais, oferecidos pelos responsáveis de alguns stands. Todo o percurso foi animado pela Tuna Templária do Instituto Politécnico de Tomar, que chegou a fazer até uma serenata.

As ruas floridas são um dos outros pontos altos da Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem e, como tal, o presidente da Câmara não deixou de levar a comitiva e os jornalistas presentes a apreciar o trabalho desenvolvido pela população. As ruas são adornadas atualmente por entidades e coletividades do concelho, contudo, nem sempre foi assim, e já houve uma época em que houve um decréscimo significativo das ruas embelezadas com flores de papel.
“Passado umas séries de anos, voltamos ao mesmo problema inicial, as festas tinham perdido o fôlego, problema aliado ao desaparecimento de grande parte dos habitantes do centro histórico da vila, houve um decréscimo significativo das ruas embelezadas com flores de papel. Foi aqui que as associações e coletividades do concelho foram chamadas ao desafio de decorarem uma rua na vila, desafio que foi aceite e se manteve até atualmente. É preciso que tenhamos consciência que a maior parte das ruas floridas são fruto do trabalho das nossas associações”, destacou Sérgio Oliveira.

No seu discurso inaugural, o autarca disse ainda que, “atualmente, as festas estão revitalizadas, vivas e com banhos de multidão, demonstrando que é possível conciliar tradição com inovação mantendo sempre este equilíbrio”.
“Concluímos que a única maneira de dar um novo fôlego as festas teria de ser pela parte comercial, ou seja, apostar em artistas e grupos conhecidos do público”. Este ano os cabeças de cartaz das Festas são Bárbara Bandeira, Jorge Guerreiro, David Carreira e David Antunes & The Midnight Band que atuam respetivamente nos dias 10, 9, 8 e 7 de abril.
Segunda-feira de Páscoa, 10 de abril, é feriado no Concelho e é quando decorrem as cerimónias religiosas, dos quais se destacam a missa solene, a procissão em honra de Nossa Senhora da Boa Viagem e as bênçãos dos barcos nos rios Tejo e Zêzere e das viaturas na Praça Alexandre Herculano. Esta é um dos momentos da festa onde são esperadas milhares de pessoas e onde ninguém fica indiferente.

No final da sua intervenção, o autarca de Constância abordou todo o investimento que tem sido feito no concelho e que estas festas são motivo de celebração pelo trabalho conseguido, seja pela reabilitação de espaços, ou pelo aumento de população, que tornou Constância um lugar vivo e dinâmico.
Para além das ruas floridas e ao programa de animação, integram as festas do concelho, o 33º Grande Prémio da Páscoa em Atletismo, uma Caminhada, a 32ª Mostra Nacional de Artesanato, a 15ª Mostra de Doces Sabores, o Espaço Infantil o Espaço Jovem, as tasquinhas típicas, a chegada das embarcações a Constância e um espetáculo de fogo de artifício, no último dia de festa, para assinalar o encerramento de mais um ano de festividades.

















