A medalha D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, de 1ª Classe, destina-se a galardoar os militares, militarizados e civis que no âmbito técnico-profissional revelem elevada competência, extraordinário empenho e relevantes qualidades pessoais, contribuindo significativamente para a eficiência, prestígio e cumprimento da missão do Exército.
“É da mais inteira justiça reconhecer o senhor presidente da Câmara, o doutor Sérgio Oliveira, mas nele também reconhecemos todos os cidadãos de Constância e todos os elencos camarários que antecederam o senhor presidente porque de facto é um relacionamento de excelência e tardava em ser feito. Através dele homenageamos toda a Constância”, disse ao mediotejo.net o general CEME, Mendes Ferrão.

ÁUDIO | GENERAL MENDES FERRÃO, CHEFE ESTADO MAIOR EXÉRCITO:
Em nota de imprensa, o autarca Sérgio Oliveira partilhou este reconhecimento do Exército com toda a população e com todos os trabalhadores da Câmara Municipal.
Já na sua página pessoal, o presidente do município disse ser “com humildade, com alegria, com emoção, mas também com orgulho” que recebeu a condecoração com a Medalha D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, de 1ª Classe, tendo indicado que “o Exército, e em especial a nossa Brigada Mecanizada, constituem um ativo fundamental para o nosso Concelho, para Região e para o País”.
“Agradeço ao Exército este reconhecimento, e partilho o mesmo com as populações do Concelho, é a elas que devo o lugar que ocupo, com os trabalhadores da Câmara, mas também com a minha família, em especial com a minha esposa, as minhas filhas, os meus pais e os meus queridos avós”, escreveu Sérgio Oliveira.




O programa do Dia da Brigada Mecanizada decorreu na manhã desta quarta-feira, 10 de abril, com a tradicional Cerimónia Militar no Largo de São Jorge, sendo antecedida da Cerimónia de Homenagem aos Mortos.

Discurso do general CEME, Eduardo Mendes Ferrão:
Como Comandante do Exército, agradeço a presença de Vossas Excelências, grato por se terem associado a estas comemorações do quadragésimo sexto aniversário da Brigada Mecanizada, às quais conferem acrescida dimensão, brilho e significado. Saúdo, em particular, o Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Constância, Dr. Sérgio Oliveira, na certeza que da vontade de Vossa Excelência muito deriva a já longa e excelente relação de cooperação e amizade entre o seu município e o Exército, factos inquestionáveis que, muito justamente, sustentam o ato de homenagem que dentro de instantes lhe será prestado nesta cerimónia.
Estendo igualmente uma palavra de apreço às demais entidades autárquicas que hoje nos distinguem com a sua presença, e que connosco interagem na vontade de bem servir em prol das nossas populações. Cumprimento os antigos comandantes da Brigada Mecanizada e das Unidades suas antecessoras, cujas lideranças continuam a inspirar diversas gerações de militares, aos mais elevados desempenhos e à prática dos mais relevantes valores militares.
Uma palavra amiga ao Coronel Manuel Álvarez Cienfuegos em representação do Excelentíssimo General de Brigada Pablo Gomés Lera, Comandante da Brigada Extremadura XI, do Ejército de Tierra, do Reino de Espanha. A geminação da Brigada Extremadura XI com a Brigada Mecanizada, tem sido um exemplo perfeito de cooperação entre exércitos amigos e próximos. Incentivo a manter e reforçar a relação estabelecida, da qual resultarão, naturalmente, benefícios, partilhas e compromissos mútuos.
Relembro, igualmente, os militares e trabalhadores civis que serviram nesta Brigada, e que, através do seu desempenho, espírito de sacrífico e abnegação, muitas vezes anónimo e singelo, contribuíram para a manutenção e reforço do legado histórico e, bem assim, para a afirmação do prestígio do Exército.
Presidir a esta cerimónia militar constitui para mim uma suprema honra, atento o seu rico historial, o seu ímpar contributo dado para sucessivas transformações do Exército e, acima de tudo, o seu papel de enorme relevância na formação e no treino de sucessivas gerações, produzindo, aplicando e experimentando doutrinas, táticas e técnicas.
O Campo Militar de Santa Margarida constitui uma excelente área para o treino operacional, dos baixos aos mais elevados escalões, para a execução de exercícios nacionais e internacionais de grande envergadura, assim como para a possibilidade de treinar, de modo simulado ou real, permitindo, inclusivamente, a realização de fogos reais com uma ampla tipologia de sistemas de armas.
É neste contexto que, de forma contínua, a Brigada Mecanizada tem colaborado na realização de diversos exercícios de escalão Exército, bem como de exercícios de aprontamentos e de forças em prontidão. Destacam-se, evidentemente, os exercícios das Forças Nacionais Destacadas atualmente projetadas para a República Centro-Africana e para a Roménia.
Ainda no âmbito do treino operacional, a Brigada destacou-se no Exercício ORION 23 e, bem recentemente, no Exercício STRONG IMPACT 24. Neste particular, tem operado lado-a-lado com a Brigada Estremadura XI, empenhando fisicamente recursos humanos e materiais orgânicos, incluindo fora do território nacional, num modelo potenciador para a futura projeção de uma Força da Brigada Mecanizada para o estrangeiro, integrada numa Unidade do Exército do Reino de Espanha.
Ainda que, em Portugal, vivamos num ambiente seguro, não é menos verdade que o mundo está cada vez mais interligado e o impacto das guerras e dos conflitos que, infelizmente, vemos eclodir por variadíssimas geografias, lembram-nos que os Exércitos têm de estar prontos para intervir, quando e onde necessários, em prol da defesa nacional e da segurança internacional.
O nosso passado recente carateriza-se por um emprego continuado de Forças Nacionais Destacadas, constituindo uma relevante experiência operacional com o consequente processo transformacional, de onde resultam evidentes ganhos de eficiência e eficácia operacional, com reflexos muito positivos na credibilidade e no prestígio nacional e internacional.
Somos hoje um relevante produtor de segurança internacional, nas mais diversas vertentes, não pela dimensão da nossa intervenção, mas, sobretudo, pela sua qualidade e oportunidade. Neste particular, a Brigada Mecanizada constitui-se como um instrumento essencial no sistema de forças nacional. É a Grande Unidade que materializa as forças pesadas do Exército Português, que congregam características únicas e distintas, essenciais para a condução de operações de alta intensidade.
Os acontecimentos no Leste da Europa e a inerente necessidade de adequação a essa realidade, lembram-nos que a preparação dos Exércitos requer ambição, mas também capacidade para antevisão de cenários, de modo a assegurar um produto operacional, pronto para servir e preparado para combater.
Efetivamente, é neste âmbito que se consubstanciam, a muito curto prazo, os grandes desafios para a Brigada Mecanizada, destacando a futura projeção de um pelotão de Carros de Combate, que, no âmbito do NATO Force Model, e inserido numa Brigada do Exército do Reino de Espanha, irá integrar o Multinational Battle Group na Eslováquia, num empenhamento que, a partir do início do próximo ano, irá evoluir para um subagrupamento.
Paralelamente, e não menos importante, a Brigada Mecanizada irá assegurar o Comando e o Estado-Maior do European Union Battle Group, uma Força da União Europeia preparada para intervir em cenários de crise, e da qual Portugal se constituirá como Framework Nation, a partir do 2.º semestre de 2025 e durante o período de um ano, um desígnio para o qual deveremos dedicar toda a nossa atenção.
É perante estes desafios, que devemos estar bem cientes que a preparação destas Forças requer rigor no planeamento, exigência na preparação e capacidade para antecipar os possíveis cenários de emprego! O improviso, como a história bem nos ilustra, nunca conduziu a bons resultados.
Ter um Exército pronto, equipado e com militares motivados, deve ser assumido como uma prioridade dos Estados, não de forma circunstancial, mas permanente. As recentes operações militares evidenciam a necessidade de dispormos de sistemas de armas modernos e tecnologicamente evoluídos.
O Exército tem a real noção do custo da tecnologia e da sua falta, mas conhece ao mesmo tempo a realidade do país. Os investimentos têm de ser criteriosos e, nesse âmbito, os projetos financiados pela Lei de Programação Militar, destinam-se a colmatar lacunas muito relevantes, que derivam do facto de não ter sido possível a sua edificação, modernização ou manutenção no passado. Todavia, os atuais cenários internacionais fazem emergir a necessidade de apostar na inovação e na modernização, como catalisadores para dotar o sistema de forças com as capacidades adequadas.
A integração da simulação real, virtual e construtiva, permite disponibilizar cenários complexos e com elevada aproximação ao ambiente operacional, procurando uma redução de custos, pelo que importa dinamizar o recém-criado Centro de Capacitação Tática, Simulação e Certificação, localizado neste Campo Militar, o nosso verdadeiro laboratório de ensaio de táticas, técnicas e procedimentos, que pretendemos que seja também um Hub de inovação nacional e internacional, em parceria com a Indústria e a Academia.
A tecnologia, contudo, não dispensa o elemento humano no campo de batalha. Destruir pode ser feito à distância, mas conquistar, controlar e construir faz-se no terreno. Não podemos esquecer que os Exércitos, apesar de poderem cumprir outras tarefas, na sua essência existem para combater!
Vivemos tempos de exigência, que implicam elevada prontidão e apurado sentido de missão. O aumento da conflitualidade no plano externo, a que assistimos diariamente, reforça a importância do instrumento militar terrestre, para a dissuasão das ameaças e para a contenção e resolução de conflitos emergentes.
Somos um Exército apto a tirar o máximo rendimento das capacidades tecnológicas existentes, e gerador da força necessária para atingir todos os objetivos definidos. Um Exército que valoriza o potencial humano, através do ensino, da formação e da qualificação, com elevados padrões pedagógicos, e de treino operacional, promovendo a capacitação dos soldados, reconhecendo-os como o maior ativo da Instituição.
Um Exército que releva a importância da liderança, assente nos princípios do Comando-Missão, sobretudo na iniciativa e no pensamento crítico, basilares para uma conduta próxima e atenta aos vários níveis, promovendo a coesão interna. Um Exército que assegura um produto operacional de elevada prontidão, interoperável com parceiros nacionais e internacionais, em operações multidomínio e em todo o espectro do conflito.
Um Exército que fomenta a cooperação nacional e internacional, garantindo um emprego credível dentro e fora de Portugal, relevante na proteção de pessoas e bens, na defesa coletiva e na segurança cooperativa.
A Brigada Mecanizada em muito tem contribuído para afirmar o Exército Português como um produtor de segurança credível e unanimemente reconhecido, nacional e internacionalmente. Relembremos que a superior prestação coletiva desta Brigada tem fundamento na diversidade e complementaridade das suas Forças; na mística e no espírito de corpo que cada uma cimenta, sem posturas segregadoras; no estoicismo e no sentido do dever; na interiorização e convicção de que são fator de promoção da boa imagem e prestígio da Instituição Militar.
Aos militares e trabalhadores civis desta Grande Unidade expresso fundado reconhecimento pelos serviços prestados, na certeza de que continuarão a honrar a sua ilustre divisa “FEITOS FARÃO TÃO DIGNOS DE MEMÓRIA”, afirmando-nos como um Exército pronto para servir e preparado para combater, desde sempre a Honrar Portugal!”
Brigada Mecanizada fundada em 1951
Herdeira das tradições e do património histórico da 3ª Divisão “Nun’ Álvares”, a fundação da Brigada Mecanizada remonta ao ano de 1951, quando foi tomada a decisão de criar um Campo de Instrução Militar, para treino de tropas de todas as Armas e de Grandes Unidades.
“Na atualidade, o binómio constituído pela Brigada e pelo Campo de Manobras do Exército constitui uma fórmula de sucesso, multiplicadora do Potencial de Combate, como escola de Armas Combinadas”, indica o Exército.
“Os recentes conflitos, vieram demonstrar a importância da tipologia de meios desta Brigada, sendo essencial para Portugal dispor, no seu catálogo de Forças, de meios capazes de servir nas diferentes missões solicitadas, de forma a garantir a necessária interoperabilidade ao nível dos nossos Aliados, treinada e testada no Campo de Manobras do Exército”.
