A Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill passou a incluir desde esta segunda-feira, dia 19, um espaço dedicado à memória do escritor, poeta, tradutor e publicitário que lhe dá nome. A sala inaugurada na data em que O’Neill faria 92 anos convida a um encontro na sala de estar da figura de relevo da cultura portuguesa, onde é possível encontrar os títulos da sua coleção privada, doada pelo filho no ano da sua morte.
O Espaço Memória Alexandre O’Neill abriu ao público no dia em que o escritor, poeta, tradutor e publicitário que emprestou o nome à biblioteca municipal celebraria 92 anos. A sala localiza-se neste edifício construído na segunda década do século passado para servir de escola e habitação das professoras e que, antes de se tornar Biblioteca Municipal em 1994, acolheu provisoriamente os Paços do Concelho.

A inauguração revelou um espaço moderno e acolhedor, reconfigurado para receber a coleção privada desta figura marcante da cultura portuguesa e, segundo Júlia Amorim, presidente da Câmara Municipal de Constância, “estimular momentos em que as pessoas possam usufruir” da cultura, que “nem sempre é procurada”. Um recanto literário onde é possível “estar, ler, consultar e estudar”, mas também “meditar a poesia que Constância respira”, disse a autarca.
O fundo bibliográfico agora partilhado com o público está organizado por grandes temáticas, desde periódicos a obras literárias nacionais e estrangeiras de referência, e resulta do trabalho realizado ao longo de um ano pela equipa da biblioteca municipal reforçada por uma estagiária. A catalogação das obras ainda não está concluída e, nas palavras do técnico municipal Rui Duarte, “provavelmente, nunca estará”por se tratar de um processo que exige atualização constante.

Entre os 3461 títulos da Coleção O’Neill, doada pelo filho do poeta quando este faleceu, em 1986, e que, segundo o vereador da Cultura Daniel Martins, o poeta “tinha em casa e tocava”, também se encontram partes da obra literária do homem com quem Júlia Amorim se lembra de cruzar na Rua Machado Santos, conhecida por Rua de São Pedro, onde este viveu.
A inauguração incluiu a leitura do poema vencedor da terceira edição do concurso literário dedicado a Alexandre O’Neill. O autor, Ricardo Damásio, foi um dos 17 participantes que concorreram entre os dias 14 de março e 31 de julho e disse ter-se inspirado numa conversa entre Constância, referida como “um cantinho de mil folhos”, e o poeta.

O final ficou marcado pela atuação do coro infantil da Banda de Música da Associação Filarmónica Montalvense 24 de Janeiro, dirigido pelo maestro José Rodrigues.
