Em 2017, a autarquia procedeu à substituição do emissário de esgotos na vila de Constância, numa intervenção de cerca de 50 mil euros. Perante a continuidade da existência de problemas, pretende agora aplicar uma "solução definitiva" através da perfuração do leito do rio. Foto de arquivo: mediotejo.net

A empreitada para solucionar os problemas do emissário que leva os esgotos da vila de Constância para a ETARI (Estação de Tratamento de Aguas Residuais Industriais) do Caima, através do rio Tejo, arrancou no dia 2 de agosto. A obra, que passa pela perfuração do leito do rio e representa um investimento na ordem dos 185 mil euros, tinha um prazo de execução de 40 dias, mas ainda não está concluída, tendo sido aprovada, esta quarta-feira, uma prorrogação de 30 dias.

As razões são duas, explicou o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira. “A obra esteve suspensa uma semana porque a maior parte dos funcionários ficou com covid” e, além disso, “durante a perfuração numa parte do rio encontraram seixo rolado e contavam encontrar rocha. Foi necessário repetir a perfuração, que fica a 20 metros de profundidade”, justifica.

A adjudicação da obra foi aprovada na reunião de Câmara Municipal de Constância realizada a 30 de março, mas antes dessa data, em janeiro deste ano, a autarquia constanciense aceitou um donativo no valor de 84 mil euros por parte da Celulose do Caima para o apoio no financiamento da referida empreitada (também financiada pela autarquia e pela administração central, no âmbito do Fundo de Emergência Municipal).

“Nesta fase a perfuração está feita entre a margem norte e a margem sul, estão a alargar o túnel com os mecanismos próprios para que, entretanto, iniciem a colocação do tubo e o novo emissário que façam as ligações e que seja retomada a normalidade”, refere o presidente.

Áudio | Sérgio Oliveira

Há cerca de duas décadas que os esgotos domésticos da vila de Constância são tratados na ETARI do Caima, na margem sul do Tejo, com os afluentes a serem levados da margem norte através de um emissário (tubo) assente no leito do rio.

“A solução implementada na altura foi através de estacaria, que se manteve durante algum tempo, mas nos últimos anos tem vindo a dar problemas”, explicou na ocasião ao mediotejo.net o presidente da Câmara de Constância. Tais problemas levaram à substituição da tubagem, em 2017, justificada pelo “elevado estado de fadiga” da conduta que não oferecia as condições ambientais e de segurança necessárias para o seu normal funcionamento.

Feita a intervenção, o problema não ficou solucionado e, em 2020, um munícipe expôs em sessão de Assembleia Municipal um novo episódio de rutura na respetiva tubagem, em que se viam esgotos a correr “a céu aberto”. Na altura, o presidente da autarquia admitia estar a ser estudada uma “solução definitiva” para o emissário, avançando com a hipótese de perfuração do leito do rio.

“É uma solução estrutural e que, à partida, no futuro não trará problemas como tem trazido agora”, referiu igualmente ao nosso jornal o socialista Sérgio Oliveira. As previsões apontavam para a obra estar concluída em setembro, contudo há agora uma nova data de conclusão: 20 de outubro.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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