Em 2017, a autarquia procedeu à substituição do emissário de esgotos na vila de Constância, numa intervenção de cerca de 50 mil euros. Perante a continuidade da existência de problemas, pretende agora aplicar uma "solução definitiva" através da perfuração do leito do rio. Foto de arquivo: mediotejo.net

A empreitada para solucionar os problemas do emissário que leva os esgotos da vila de Constância para a ETARI (Estação de Tratamento de Aguas Residuais Industriais) do Caima, através do rio Tejo, arrancou no dia 2 de agosto. A obra, que implica a perfuração do leito do rio e exigiu inicialmente um investimento na ordem dos 185 mil euros, tinha um prazo de execução de 40 dias, mas ainda não está terminada. Prevê-se agora a sua conclusão dentro de três semanas, ou seja, em meados de novembro, disse ao nosso jornal o presidente da Câmara Municipal. Recorde-se que, no final de setembro, já tinha sido aprovada uma prorrogação de 30 dias para estes trabalhos.

As razões foram duas, como então explicou Sérgio Oliveira (PS): “A obra esteve suspensa uma semana porque a maior parte dos funcionários ficou com covid” e, além disso, “durante a perfuração, numa parte do rio encontraram seixo rolado quando contavam encontrar rocha”. Foi assim “necessário repetir a perfuração, que decorre a 20 metros de profundidade”, justificou.

Esta quarta-feira, 26 de outubro, a Câmara Municipal aprovou uma proposta de trabalhos complementares no valor de cerca de 20 mil euros, elevando para mais de 200 mil euros o custo total da obra. Neste momento “a empreitada está a decorrer, foi finalizada a perfuração e a passagem do tubo”, explica Sérgio Oliveira. “Falta efetuar as ligações, quer na margem norte, quer na margem sul. E há um conjunto de trabalhos que ainda são necessários executar, trabalhos complementares, que não estavam previstos inicialmente na empreitada”, explicou o autarca.

Esta quarta-feira, 26 de outubro, a Câmara Municipal aprovou uma proposta de trabalhos complementares no valor de cerca de 20 mil euros, elevando para mais de 200 mil euros o custo total da obra.

Do lado da oposição, o vereador Rui Ferreira (CDU), questionou sobre o “estudo geológico” da obra e o facto de “não ter detetado” que “em vez de 60 metros de abertura eram precisos 103 metros”.

Em resposta, Sérgio Oliveira explicou que “os geólogos debruçaram-se apenas sobre o estudo da profundidade a que ia passar o emissário no leito do rio e não fora do leito do rio”.

Além disso, acrescentou ainda o executivo socialista, o “estudo geológico” assenta em “sondagens”, tendo sido realizadas três: “uma numa ponta do leito do rio, outra sensivelmente a meio e outra noutra ponta”, no sentido de perfurar entre a margem norte e a margem sul, alargar o túnel, colocar o tubo e o novo emissário. Mas ficou de fora uma área onde se verificou agora ser necessário executar trabalhos complementares.

“Não havia sondagens no comprimento todo do emissário […] numa zona de solo onde não havia sondagens, o solo não era compacto, teve de se aumentar a profundidade porque o raio da curvatura tinha de ser respeitado, e ao aumentar o raio da curvatura, o emissário nessa margem teve de sair mais à frente”, explicou, por sua vez, o vereador Alexandre Marques (PS).

A adjudicação da obra foi aprovada na reunião de Câmara Municipal de Constância realizada a 30 de março mas, antes dessa data, em janeiro deste ano, a autarquia aceitou um donativo no valor de 84 mil euros por parte da Celulose do Caima para a referida empreitada (também financiada pela autarquia e pela administração central, no âmbito do Fundo de Emergência Municipal).

A Celulose do Caima fez um donativo de 84 mil euros para apoiar os custos desta empreitada, que custará mais de 200 mil euros.

Há cerca de duas décadas que os esgotos domésticos da vila de Constância são tratados na ETARI do Caima, na margem sul do Tejo, com os afluentes a serem levados da margem norte através de um emissário (tubo) assente no leito do rio.

“A solução implementada na altura foi através de estacaria, que se manteve durante algum tempo, mas nos últimos anos tem vindo a dar problemas”, explicou na ocasião ao mediotejo.net o presidente da Câmara de Constância. Tais problemas levaram à substituição da tubagem, em 2017, justificada pelo “elevado estado de fadiga” da conduta, que não oferecia as condições ambientais e de segurança necessárias para o seu normal funcionamento.

Feita a intervenção, o problema não ficou solucionado e, em 2020, um munícipe expôs em sessão de Assembleia Municipal um novo episódio de ruptura na respetiva tubagem, em que se viam esgotos a correr “a céu aberto”.

Na altura, o presidente da autarquia anunciou que iria haver uma nova intervenção no emissário, avançando então ao nosso jornal que estava a ser estudada a hipótese de perfuração do leito do rio. Uma solução “estrutural” e que espera “definitiva”.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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