Os presidentes dos municípios de Vila Nova da Barquinha e Constância, no distrito de Santarém, contestaram hoje uma “inaceitável” redução de horários de diversos balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD), medida que dizem não servir as populações.
Contactada pela agência Lusa, a assessoria da CGD disse que prestará “oportunamente” esclarecimentos sobre este processo.
O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire (PS), disse à Lusa ter tido conhecimento de que, “no âmbito do processo de reestruturação da CGD, algumas das agências do país sofrerão reduções de pessoal e no horário de atendimento ao público em janeiro”.
Entre as zonas abrangidas está a Barquinha, mas também, apontou, “Constância, Sardoal, Alcanena e Ferreira do Zêzere”, todos municípios do Médio Tejo, no distrito de Santarém.
A CGD é o único banco que existe no concelho de Vila Nova da Barquinha, com cerca de oito mil habitantes.
“Verificamos, com enorme inquietação, que prosseguem a fuga de serviços públicos aos concelhos do interior, negligenciando serviços de qualidade e de proximidade aos cidadãos aqui residentes”, disse o autarca.
“O programa do XXI Governo Constitucional assumiu, entre os seus objetivos prioritários, a afirmação do interior como um aspeto central do desenvolvimento económico e da coesão territorial. Todavia, ao arrepio deste objetivo prioritário, somos agora surpreendidos com a redução do atendimento do balcão da CGD, um banco público, cujo horário de atendimento será fixado entre as 08:30 as 12:30, encerrando da parte da tarde”, acrescentou.
Com “estranheza e revolta” perante a decisão, o município irá agora “iniciar diligências no sentido de vir a alterar este novo horário”.
Também a presidente da Câmara de Constância, Júlia Amorim, entende que a medida “é um retrocesso nos serviços públicos disponíveis nas regiões do interior” do país.
“Esta é a única agência que existe na vila e que serve Constância e Montalvo. Para quem trabalha. Não estando a agência a funcionar à hora de almoço, esta é uma medida que dificulta a vida às pessoas, pelo que não se compreende nem se aceita a redução do horário de funcionamento ao público”, defendeu.
Júlia Amorim disse que “já foram tomadas diligências necessárias junto das entidades competentes”, para inverter a situação.
A CGD está numa fase de alteração de gestão, depois de em 31 de dezembro ter terminado o curto mandato de António Domingues à frente do banco público, que foi marcado por polémicas com o Governo, sobretudo porque o gestor e a sua equipa se recusaram a entregar as declarações de rendimento e património junto do Tribunal Constitucional argumentando que o executivo tinha aceitado que não cumprissem o estatuto do gestor público.
O banco vai entrar num processo de mudança comercial e operacional, estando previstos a saída de mais de 2.000 trabalhadores e fechos de centenas de agências.


e a seguir fecham as câmaras…. gente a mais à sombra…