Cerca de 150 crianças do concelho passaram a manhã e o princípio da tarde de quinta feira, dia 12, no Museu dos Rios e das Artes Marítimas, em Constância, onde puderam aprender mais sobre o concelho e a importância dos rios, além da reciclagem e da preservação do ambiente. O mediotejo.net esteve à conversa com Anabela Cardoso, responsável do museu, que nos explicou um pouco mais sobre a iniciativa “Um dia no Museu”, a qual contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira.
Com cerca de 150 alunos participantes, pertencentes ao ATL realizado no concelho de Constância, Anabela Cardoso e as demais pessoas responsáveis dividiram o grupo em dois. Metade foi para o interior do museu aprender mais sobre a sua história e a cultura dos rios, enquanto a outra metade ficou no jardim do museu a participar nos ateliers.
Tal como nos explicou Anabela Cardoso, “as crianças tinham à disposição quatro ateliers. O atelier de reciclagem, o de horticultura e dois de pintura”.
O atelier de reciclagem tinha como objetivo ensinar a importância de reciclar, neste caso, especialmente o plástico e o vidro. Como tal, as crianças, reciclavam as embalagens, ao construírem recipientes para plantas. Depois de construído o recipiente, passavam para o atelier da horticultura.

Este atelier visava ensinar aos mais pequenos quais as sementes que dão origem aos alimentos que consomem no dia a dia, tais como as plantas. Com isto, tentou-se também chamar à atenção para a alimentação tradicional pertencente à região, que se baseava em alimentos como o grão, o feijão e o tremoço. “A maioria das crianças desconhecem este tipo de coisas, podem conhecer o tremoço, por exemplo, mas não fazem ideia do que lhe dá origem”, exemplificou a responsável pelo museu.
À sua disposição, as crianças contaram também com uma espécie de poço, no qual, através da colaboração do barqueiro e pescador de constância, Sérgio Silva, se encontravam diversos peixes do rio, tais como fataças, barbos, entre outras espécies. A observação dos peixes conduzia aos restantes dois ateliers, ambos de pintura.
As crianças mais novas, recorrendo a cotonetes, pintaram os peixes que viram, nos peixes em madeira que estavam espalhados pelo jardim. Por sua vez, as crianças mais velhas pintaram os peixes que viram em seixos trazidos previamente do rio e que, depois de pintados, foram dispersos pelo jardim.

Mas não é a primeira vez que é organizado este tipo de atividades. Várias iniciativas deste género são levadas a cabo ao longo do ano com as crianças do concelho, até porque, tal como revela Anabela Cardoso, é “muito importante as crianças visitarem o museu, pois é o seu passado. As atividades que os seus avós e antepassados praticavam estão aqui representadas, desde os barqueiros, os marítimos, os construtores navais, as mulheres que faziam as redes de pesca… estas atividades fizeram parte do quotidiano dos seus antepassados, é importante que isso não seja esquecido”, defendeu.
Numa outra perspetiva, a responsável pelo museu considera que “é igualmente importante dar a conhecer às novas gerações o seu próprio património, o qual elas desconhecem, como as plantas, as sementes, os peixes que existem nos rios e, também muito importante, os que existiram, o que nos conduz ao tema da reciclagem e da poluição. Estes conhecimentos têm de ser transmitidos duma maneira suave e nestas faixas etárias, porque depois isso deixa de ser possível”, concluiu Anabela Cardoso.
Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, concorda que é importante mostrar às crianças o passado marítimo de Constância, afirmando que “o museu é um espaço vivo do que foi a atividade piscatória e marítima da nossa vila e dos nossos antepassados”, considerando que este tipo de atividades vão continuar a ser apoiadas pelo município, tanto para dinamizar os espaços do município, como é o caso do museu, como para proporcionar atividades culturais e educativas às crianças, de preferência colocando-as em contacto com o seu património.

Fundado em 1998, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas entrega-se à recolha, estudo, valorização, exposição e divulgação do vasto património cultural relativo a toda a atividade fluvial, como a pesca, o transporte fluvial e a construção naval, levado a cabo em Constância, antiga Punhete.
