Autarca de Constância defende serviço obrigatório para médicos no Estado. Foto arquivo: Ricardo Escada7mediotejo.net

O Centro de Saúde de Constância está há mais de 40 dias sem comunicações telefónicas. A denúncia partiu da cidadã Júlia Amorim, residente no concelho e deputada municipal da CDU, que apresentou duas reclamações e que pede “mais respeito pelas pessoas, utentes e profissionais”. A Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo disse ao nosso jornal que “não existe reporte da Unidade em causa de qualquer constrangimento naquela central telefónica” tendo, no entanto, dado conta que as equipas técnicas vão hoje ao local.

Para Júlia Amorim, que efetuou duas reclamações contra a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, “a insuficiente prestação dos cuidados de saúde primários e a sua imprevisibilidade nas consultas de medicina geral e familiar” é preocupante. E a esse problema acrescenta-se outro que, apesar das garantias dadas pela ULS em 31 de outubro, até ao momento sem resolução.

“Têm os utentes do Centro de Saúde de Constância que se deslocar para obter uma simples informação que poderia ser prestada por telefone”, critica, referindo-se a utentes, não apenas “da sede do concelho mas também de Constância Sul e freguesias de Montalvo, Santa Margarida da Coutada e Martinchel (Abrantes)”.

No dia 23 de outubro, Júlia Amorim apresentou um reclamação no Centro de Saúde de Constância considerando “inaceitável o telefone avariado há quase três semanas, com consequências extremamente negativas para os utentes, particularmente para idosos e fora da freguesia de Constância”.

Notou também a falta de resposta de médico de família, “aceitando, como é evidente, o facto de ser natural faltarem, porque são seres humanos como os restantes cidadãos”. Explica que a reclamação prende-se “com a falta de resposta médica no concelho para os utentes” e, particularmente no seu caso, tendo sido “desmarcada consulta” de 25 de setembro e reagendada para 19 de dezembro, em Montalvo. Acresce a falta de resposta em “urgência, que não urgência hospitalar”.

Em resposta, o conselho de administração da ULS Médio Tejo, admitiu a 31 de outubro que “o problema das comunicações telefónicas”, no atendimento administrativo, não estava “inteiramente resolvido”, apesar de ter sido “reportada superiormente a ocorrência da situação, logo que houve conhecimento da mesma”.

A ULS Médio Tejo justifica a falta de resolução com o envolvimento de “entidades várias” o que impediu a “celeridade desejável” embora tenham sido “realizadas todas as diligências tidas por necessárias, com a maior brevidade possível”.

O conselho de administração informou Júlia Amorim que “aguarda para o mais breve possível a normalização das comunicações” o que não aconteceu até esta quarta-feira, 13 de novembro, ou seja, há mais de 40 dias.

Por isso, a cidadã realizou uma segunda reclamação no dia 13 de novembro. Considerando a resposta da ULS “deveras inaceitável” uma vez que o Centro de Saúde de Constância permanece sem “acesso telefónico, nem para os profissionais, nem para os utentes. Portanto, há um mês e meio”, conclui, sugerindo que fosse, pelo menos, disponibilizado “um telemóvel”.

“Que se resolva o problema! Que se apurem responsabilidades! Nenhuma razão justifica esta situação indesculpável, desrespeitosa e indigna para com os nossos concidadãos”, afirma Júlia Amorim, ex-presidente da Câmara Municipal de Constância e, presentemente, deputada municipal eleita pela CDU.

Questionada na quinta-feira pelo nosso jornal, a ULS Médio Tejo esclareceu que “elementos da equipa de Informática da ULS Médio Tejo vão deslocar-se amanhã [sexta-feira, 15 de novembro] para apurar a situação. Não existe reporte da Unidade em causa de qualquer constrangimento naquela central telefónica – que teve intervenção técnica no passado mês de maio, em articulação com a autarquia”.

Considera importante referir que “está prevista a substituição dos telefones nesta Unidade por tecnologia moderna, à semelhança do que já aconteceu, desde janeiro, nas unidades de Torres Novas, Entroncamento, Mação, Sardoal, Marmelais, Abrantes / USF D. Francisco de Almeida. Barquinha e Olalhas têm agendada a substituição para a próxima semana. No âmbito da renovação e Modernização de equipamentos e também Constância vai receber material informático novo ao abrigo do PRR”.

Quanto aos médicos de saúde geral e familiar a ULS Médio Tejo refere, na resposta a Júlia Amorim e a que o mediotejo.net teve acesso, (ver imagens em anexo/abaixo) que, perante a ausência das duas médicas de família, por “motivo legalmente previsto”, não dispõe de “outros médicos que possam ser alocados para as substituírem integralmente nas suas ausências”, admitindo igualmente que perante “as aposentações e exonerações registadas no grupo profissional médico” a “acessibilidade a consultas médicas poderá ficar condicionada face aos recursos existentes”.

Também a Comissão Coordenadora de Constância da CDU manifesta “preocupação e indignação pelo Centro de Saúde de Constância estar incontactável via telefone desde meados de outubro”.

Em comunicado, a Concelhia da Coligação Democrática Unitária refere que “não se compreende como é possível não haver preocupação por parte das entidades competentes – Unidade Local de Saúde do Médio Tejo e Câmara Municipal de Constância – na celeridade da resolução desta avaria que afeta os utentes de todo o concelho fazendo-os deslocar-se quilómetros sem necessidade bem como os profissionais que se veem limitados ou mesmos impossibilitados de cumprir com as suas funções”.

E quanto à entidade responsável, a CDU acredita “ser da responsabilidade da câmara Municipal de Constância, porquanto foram transferidas para os municípios as competências de manutenção, conservação e equipamento das instalações de unidades de prestação de cuidados de saúde primários assim como de gestão e execução dos serviços de apoio logístico”.

Recorda não ser esta “uma situação nova já que o mesmo aconteceu no verão passado por um largo período de tempo”. E manifesta “solidariedade para com os profissionais e toda a população afetada”.

Porém, do lado da autarquia, o presidente da Câmara de Constância contesta as afirmações da CDU. “Tenho mais uma vez de repor a verdade e esclarecer as pessoas. As telecomunicações e a Internet, a parte da informática não passou, no âmbito da descentralização administrativa, para a competência da Câmara Municipal”.

Sérgio Oliveira considera “estranho” tal afirmação “da principal força política da oposição quando a documentação da transferência de competências passou pelos órgãos. Das duas uma; provavelmente já não têm de memória ou não leram os documentos, ou já se esqueceram ou fizeram-se de esquecidos”.

Reforça que a Câmara Municipal “nada tem a ver com a resolução do problema do telefone nem com algum problema que exista a nível de Internet. Essas duas competências não foram transferidas para a responsabilidade da Câmara Municipal”. No entanto, a autarquia “mesmo não sendo de sua responsabilidade põe sempre à frente desses chavões o interesse das populações e o bem estar das pessoas”, garante.

Sérgio Oliveira admitiu ter conhecimento que “o telefone do Centro de Saúde não estava a funcionar” devido a “um contacto pessoal, mas como já foi há algum tempo, deduzi que esse problema tivesse sido resolvido pela Unidade Local de Saúde do Médio Tejo. Hoje de manhã [sexta-feira 15 de dezembro] quando tomei conhecimento que o problema continuava, tomei a iniciativa de ligar a um dos vogais da ULS do Médio Tejo e pedi que o problema fosse resolvido com a máxima urgência “.

Afirma “saber” estar no local, ou seja, no Centro de Saúde de Constância , “uma equipa técnica para tentar resolver a situação”. Conclui, em declarações ao nosso jornal, ter “quase a certeza” que o assunto das comunicações telefónicas foi abordado numa anterior reunião de executivo municipal, tendo o autarca esclarecido na altura que a competência não era da Câmara.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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