Inauguração do Monumento aos Combatentes de Portugal. Foto: mediotejo.net

O momento solene do programa comemorativo do 40º aniversário da Brigada Mecanizada (BrigMec) teve lugar na sexta-feira, dia 6, no Campo Militar de Santa Margarida (CMSM), Constância. A cerimónia militar presidida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), General Frederico Rovisco Duarte, incluiu a inauguração do Monumento aos Combatentes de Portugal, durante a qual conversámos com o primeiro Comandante da BrigMec, General Henrique Garcia, hoje com 97 anos.

Os convidados começaram a chegar ao início da manhã, nomeadamente os ex-combatentes que assistiram à inauguração do monumento que enaltece os feitos do passado, presente e futuro. Entre eles, encontrámos o General Henrique Garcia, Brigadeiro nomeado pelo CEME a 19 de fevereiro de 1976 como primeiro Comandante da 1ª Brigada Mista Independente (1ª BMI), afeta à NATO e que substituiu oficialmente a Divisão Nun’Álvares a 5 de abril desse ano.

O início da vida militar começou na antiga Escola do Exército e foi ganhando forma com a passagem por unidades como Tomar, Abrantes e Leiria, a par dos “muitos anos de África”. Com 97 anos completados no passado dia 25 de março voltou a marcar presença nas comemorações e partilhou o “prazer” com que regressa anualmente, sobretudo pela evolução do Campo Militar de Santa Margarida desde que ali esteve pela primeira vez, em 1961.

O General Henrique Garcia foi o primeiro Comandante da BrigMec. Foto: mediotejo.net

Quando chegou as instalações do então Campo de Instrução Militar (CIM) eram “muito degradadas” e serviam a formação das tropas enviadas para a Guerra do Ultramar. Nos dois primeiros anos enquanto Comandante da 1ª BMI meteu “a máquina a funcionar” com a organização da unidade e a reabilitação das instalações. “A Brigada não estava toda reunida nessa altura”, relembra, salientando que a Companhia de Engenharia se encontrava em Santa Margarida da Coutada e o Grupo de Artilharia em Tomar.

O General acrescenta que os quatro batalhões estavam divididos em três concelhos, dois instalados em Constância, um em Tomar e outro em Abrantes. Com o passar dos anos foi assistindo à transformação da 1ª BMI para Brigada Mecanizada Independente, em 1993, e na atual Brigada Mecanizada, em 2006. Nos tempos que correm, assume-se como “militar de raiz, e deixa como conselho aos jovens que pretendam seguir-lhe os passos optarem por uma carreira que tem tanto de “digna” como de “esforçada” e assegurada pelo “mínimo indispensável para a sobrevivência das pessoas”.

Momento da cerimónia na pista de aviação do CMSM. Foto: mediotejo.net

A salva de tiros ouvida poucos minutos antes da conversa com o General Henrique Garcia junto do novo Monumento aos Combatentes de Portugal anunciava a chegada do General Frederico Rovisco Duarte, à Porta de Armas. O CEME estaria no local pouco depois acompanhado, entre outros, pelo Comandante da BrigMec, Brigadeiro-General Eduardo Mendes Ferrão, e o presidente da Liga dos Combatentes, General Joaquim Chito Rodrigues.

A comitiva que integrava, igualmente, representantes de entidades militares e os presidentes das câmaras municipais de Constância, Sérgio Oliveira, e Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, assistiu então ao momento em que o monumento foi inaugurado e os antigos combatentes homenageados.

Seguiu-se a viagem de autocarro até à pista de aviação onde aguardavam as tropas em parada com elementos de todas as unidades da BrigMec sob o comando do Comandante do CMSM, Coronel de Artilharia José Vinhas Nunes.

Brigadeiro-General Eduardo Mendes Ferrão durante a alocução. Foto: mediotejo.net

A cerimónia comemorativa do 40º aniversário da mais antiga das três grandes unidades do Exército Português continuou e entre os diversos momentos destacaram-se as alocuções do CEME e do Comandante da BrigMec. O Brigadeiro-General Eduardo Mendes Ferrão destacou a vontade da BrigMec em continuar a contribuir para o desenvolvimento da região através da missão de “servir as populações”, destacando que o “arrojo e a coragem” devem ser conjugados com “o saber e a prudência”.

A presença dos recrutas do primeiro Curso de Formação de Cabos de 2018 nas forças em parada, a criação do Gabinete de Prevenção de Acidentes, a necessidade de modernização da Infantaria e o aprontamento de unidade de Companhia para constituir uma Quick Reaction Force (QRF) que atuará no teatro de operações de Kaia, no Afeganistão, também foram referidos. A palavra foi tomada pelo CEME que, durante a sua intervenção, falou na criação de um Centro de Formação Profissional Militar e investimentos futuros para a modernização dos equipamentos.

Desfile das forças em parada. Foto: mediotejo.net

Seguiu-se a condecoração de diversos militares e civis com as medalhas de Serviços Distintos, de Mérito Militar, Comemorativa das Campanhas e de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, tendo uma das últimas, de primeira classe, sido entregue ao Comandante da Brigada Extremadura XI, de Espanha, General Francisco José Dacoba. Findo este momento, deu-se início ao desfile das forças apeadas e montadas em parada e a cerimónia terminou com a atuação da Banda do Exército.

Ao longo da manhã, o céu cinzento foi fazendo temer a chegada da chuva, mas a água anunciada só chegou quando os convidados e a comitiva almoçavam abrigados no pavilhão desportivo do CMSM. Talvez tenha existido intervenção do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, patrono da BrigMec e cuja conduta na Batalha de Atoleiros, a 6 de abril de 1384, acabou por ditar a data em que se assinala o Dia da Unidade.

Depois da realização do III Trail Rota da Hakea, no passado dia 24 de março, que envolveu cerca de meio milhar de participantes, e do momento solene desta sexta-feira, o programa comemorativo termina com a atuação da Banda Sinfónica do Exército no Teatro Virgínia, em Torres Novas, a partir das 21h00 de quarta-feira, dia 11.

Sónia Leitão

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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